14 de setembro de 2007

Oi vó... queria comer seus biscoitos ontem. Não, você não estava aqui, o mundo moderno cada vez mais nos enche de afazeres inúteis e nos afasta de quem amamos.
Sabe vó, desde aquele tempo, aquele no qual brincava no seu quintal e quando você fazia os bolos das minhas festinhas, desde aquele tempo não mudei tanto assim. Queria que você soubesse que continuo aquela menina chorona e medrosa. Continuo com as mãos sujas, as calças dobradas até os joelhos e corro como no seu quintal, mas agora, sem objetivos definidos. Antes queria a bola, ver o pássaro na árvore, fazer comidinhas debaixo da mangueira. Antes corria do bicho papão, da injeção, no pega-pega... Agora corro nem sei pra onde! Corro da solidão talvez.
Também continuo cabeça-dura desde aquela época. Lembra quando as coisas não eram como eu queria e fazia bico? Pois é, ainda faço... Mas agora a manha não é mais ouvida, nem o cabelo afagado por suas mãos macias e sábias. Agora faço manha e continuo só.
Estou perdendo o brilho nos cabelos, minhas mãozinhas, antes tão inofensivas, já não são mais assim. Percebi que posso matar o amor, ferir, quebrar. Antes quebrava seus vasos, mexia no doce inacabado. Agora, minha vozinha... agora eu quebro pessoas.
Envio essa carta para saber da sua neta tão querida, tão amada. Envio para saber-se tão querida e tão amada também, mesmo que nunca tenha dito. Um dia largo tudo aqui na “cidade grande” e corro pro seu colo, ôôô se corro. Preciso do seu perdão na forma de conselhos, preciso do seu amor na forma de doce-de-leite em pedaços.

-tão despedaçado feito meu coração.

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