19 de novembro de 2017

Avoante











Gostaria de verbalizar a saudade imensurável 
E a dor de ter perdido você, mas não dá. 
Então me afasto, fico puto, sou ríspido contigo, 
Essas coisas de coração partido. 
Em pensamento, estou velando seu sono. 
Abençoando seu caminho, mesmo diferindo do meu. 
Portanto, libertarei suas asas, 
Porque você é a coisa mais linda da vida 
E precisa ir. 
Porque você canta desafinado e doce 
Feito uma pombinha assustada. 
Porque se aninhava em meu peito como se eu pudesse protegê-la de qualquer coisa. 
Não posso. 
O mundo te quebrará em pedaços, pequena, 
Como fez comigo. 
Esse poema é testemunho da partida. 
Quem sabe um dia você pousa na minha janela.

14 de novembro de 2017

Voz

Depois de você, perdi as palavras. 
Não escrevi nos papéis soltos pelos cantos do quarto, 
Não rabisquei no diário dentro da mochila, 
Evitei a agenda velha na escrivaninha da sala, 
Nunca mais usei o caderno da segunda gaveta, 
Nem as infinitas páginas do Word, a minha disposição. 
Nada de bloco de notas, nem blog, nem nada. 
Depois de você, perdi as palavras 
E foram elas que me encontraram, devastada. 
Hoje, escrevi nos papéis. 
Rabisquei o diário. 
Abracei a agenda. 
Desenhei no caderno. 
Escrevi palavrões (impublicáveis) no Word, que continua a minha disposição. 
Escrevo esse poema no bloco de notas minutos antes de publicá-lo, 
Porque agora estou aqui. 
Depois de você encontrei minha voz perdida.
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