25 de maio de 2009

Rosa Chilena

{Fica registrada aqui minha participação na 9° feira do livro de Ribeirão Preto, com um poema dedicado ao Chile}


Irmãos, é tempo:
Águas chilenas carregam os frágeis cordões da memória.
Dos Mapuches o sangue que brota nas grutas da terra,
A luta renasce do vento.
Santiago, orai por nós
que queremos a liberdade.

Neruda pescando em abismos
o amor maior e mais bonito.
Santiago, orai por nós,
anjos caídos da poesia.

Dos jardins das Violetas, as vozes do espírito.
Santiago, somos a própria canção, cantai!

A aridez do Atacama que rasga crenças
e abre asas.
O milagre da sobrevivência.
Santiago, somos lágrimas.
E fé.

Ditadores subirão altivos,
mas águas antigas abrirão janelas.
Na aspereza da estrada
marcamos o próprio destino.
Santiago, lutai conosco:
chilenos e veias e punhos!

Acende uma vela no nosso peito
maior que o céu dos Andes.
Azul, branca e vermelha,
para abrir raízes nessa América sem fim.

23 de maio de 2009

Pouco riso e pouco siso.

Eu pensava que fosse mais dolorido tirar uma parte sentimental: perder um amor, uma época boa da gente.

Hoje vou tirar meu siso, que é um pequeno pedaço de osso que cresceu.

Na verdade, a dor não é medo. O fato é que ele nasceu errado, sem espaço, como várias coisas nascem; e que sempre escondi dos outros, e de mim, essa situação.

Não adianta! Coisas tortas uma hora ficam alarmantes, por mais que o discurso para si mesmo seja de deixar passar. Uma hora parece que desce um sinal dos céus e cai bem na sua cabeça, dizendo que nada errado dura muito tempo.

Não estou triste em olhar para o espelho e ver o futuro sem sisos; mas em pensar que muito que eu amava era torto também e teve que ir.

Já me culpei por não ter feito o suficiente, mas hoje percebo que certas coisas estão fora do alcance. Algumas pessoas são tortas porque não sabem ser de outra maneira. E o que é torto para mim, talvez não seja para outros.

Ah...

Essa história de dente (e de gente) é mesmo bastante dolorida...



( abraço à Thami, pela compreensão nesse momento)

19 de maio de 2009

Sou pedagoga formada e escritora por amor (longainterminável pausa poética).

16 de maio de 2009



Retirada do site: http://depositodocalvin.blogspot.com/

(clique na tirinha para aumentar!)

- Coluna do leitor

Lembram do Godofredo (meu amigo imaginário)? Ele foi importantíssimo nos últimos anos de faculdade, nos meus primeiros passos como 'adulta responsável'... Quem lê o blog desde o começo ( mãe, tia, vó!!!) sabe do trabalhão que dou a ele. Afff!
Breve meu A.I. aparece para mais aventuras: sentimentais, ou não.
Para as novas pessoas que passaram por aqui, obrigada! Leio os comentários e fico lisonjeada, apesar de meio sem-graça - confesso! Dá um pouco de vergonha!
Pretendo voltar com dicas musicais também: estou - meiototalmente - relapsa.
Bom é isso, um abraço!

Até :)

Areia do sono.

Quando a casa dorme
escuto o vento
conversando com o espaço.
Os passos do homem solitário
afundando na calçada.
Ou o guardinha que passa...
Apitando.

Longe, lá na pracinha, tem coruja.
Minha vó dizia que coruja é ruim,
porque traz morte.
Eu escuto ela todo dia,
mas nunca morri.

A rua anda ao contrário de noite.
Casas deitam-se umas nas outras
e bocejam.
Muros curvam-se silenciosamente.
Ouço códigos secretos do mundo inteiro,
porque sinto o chão respirar.

Luzes dos postes piscam sonolentas
para minha janela,
cerrando o som da rua.

- Então,
eu durmo.

14 de maio de 2009


Minha mãe ensinou que só devo colocar o amaciante quando a máquina estiver na letra ‘x’ do enxaguar; Cataflan é um remédio milagroso, curando desde doenças gravíssimas até dor no dedinho do pé; não adianta limpar a cozinha sem passar pano na casa toda: suja em menos de dois dias.
Discorreu diversas vezes sobre minha falta de memória em avisar onde estou. E sobre a necessidade da oração ao sair de casa. - Sempre esqueço.
Tem os melhores produtos de beleza, as melhores maneiras de amarrar um cachecol.
Suas fotos, em todas as épocas possíveis e imagináveis, são mais bonitas: mais delicada, mais expressiva. -Sorriso que terminou diversas guerras e começou outras tantas.
E mesmo com TUDO isso, diz ser minha fã! Que adora meu cheiro, minhas coisinhas tão bobas...

Essa história de maternidade não é a coisa mais bonita que você já viu?

12 de maio de 2009

Sobre Heráclito e o rio.

Cresci numa eterna repetição: morei sempre no mesmo lugar, estudei na mesma escola.
Achava minha vida um tédio por esses motivos, mas fui convencida que o novo era algo perigoso, devendo ser repelido a qualquer custo.
Hoje, tudo virou do avesso e percebo que todo esse tempo ‘resguardada’ não facilitou meus dias. É impossível saber as regras, por mais que eu queira, por mais que me desespere procurando a lógica dos fatos.
Estudei na mesma escola, mas fui perdendo amigos pelo caminho. Morei na mesma casa, mas nem sei mais os nomes dos meus vizinhos! Pessoas que estavam sempre perto, não existem mais. Lugares onde brincava, a árvore que mais gostava... pra onde foi todo mundo? Até mesmo a Língua Portuguesa mudou.


- Tenho pesadelos com essa realidade arredia, que não cabe mais em minhas mãos, ou sou eu que não me reconheço mais?

Sobre os desejos.

Um marido de poucos amigos.
Um filho homem.
E uma casa sem telefone.

9 de maio de 2009

Arquitetura da solidão.

Vivi buscando amizades para ter carinho, proteção, amor. Não correspondida, tentei impor ‘filosofias bem intencionadas'. Como o Pequeno Príncipe ensina o aviador, ou a mãe empurra o filho em passos atrapalhados.
O fato é que pessoas não mudam porque nós queremos; mudam porque querem e quando querem muito.
Cansei de cobrar dos outros meu amor próprio. Mas sinto-me, cada dia mais, uma muralha de auto-preservação.

8 de maio de 2009

O eterno sono.

Serei eu a Bela Adormecida moderna? Que não luta pelos objetivos, vê a vida passar e espera grandes paixões baterem na porta?
- Estou acomodada demais: adormecida.
A opção 'dormir 100 anos', contrária a morte instantânea, não parece das melhores opções. Dormir não é uma espécie de morte? E acordar somente com um príncipe não é delegar a terceiros a própria felicidade?
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