16 de maio de 2009

Areia do sono.

Quando a casa dorme
escuto o vento
conversando com o espaço.
Os passos do homem solitário
afundando na calçada.
Ou o guardinha que passa...
Apitando.

Longe, lá na pracinha, tem coruja.
Minha vó dizia que coruja é ruim,
porque traz morte.
Eu escuto ela todo dia,
mas nunca morri.

A rua anda ao contrário de noite.
Casas deitam-se umas nas outras
e bocejam.
Muros curvam-se silenciosamente.
Ouço códigos secretos do mundo inteiro,
porque sinto o chão respirar.

Luzes dos postes piscam sonolentas
para minha janela,
cerrando o som da rua.

- Então,
eu durmo.

2 comentários:

Thami disse...

E você me lembrou que é possível sonhar antes mesmo de dormir.


(às vezes, quando minha vida não está tão do avesso como agora e eu não vou para a cama tão cansada, o silêncio me diz tantas, tantas coisas que eu demoro para dormir).

beijo, Prih!

Paulinha Peixinha disse...

essa Prih é a pura poesia!

linda!!

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