5 de dezembro de 2016

O insustentável feminino

Tenho medo de cair,
Um dia nem mesmo as palavras me salvarem de mim mesma.
Você sabe como isso é amedrontador?
Tenho medo de nunca mais te amar.
Carrego um coração estranho
Que toca forte na superfície dos sentimentos,
Mas quando destoca
Existe uma suspensão
De mim sobre o objeto amado.
Uma suspensão com fios de aço.
É parir ao contrário,
Porque eu, também eleita,
Herdei o fio, a roca, a torre
E o medo de altura.
Não posso decidir sobre seu sagrado,
Quando você entrega em meus braços algo que posso massacrar.
Sou mulher, inauguro territórios desconhecidos,
Com uma força além de mim.
Podia estar tudo bem,
Mas minha Medeia grita:
Se afaste - ela diz.
Sou força incontrolável como a terra engolindo
Tudo aquilo que não se opuser a ela com ímpeto, desejo, paixão.
Engrandece seu masculino,
Pois anseio ardentemente alguém tão inteiro quanto eu.

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