22 de dezembro de 2016

O parto.

Estou aqui
Pés cambaleantes
Diante de tanta novidade.
Agora compreendo sobre corda bamba
Com igual ou mais propriedade que a equilibrista do circo.
São pequenos passos diante do universo,
Mas tão grandes para mim.
Estou experimentando ser uma mulher.
Eu que tantas vezes menina, tantas vezes mãe,
Amiga...
Tenho receio de não saber tocar direito essas curvas inéditas,
Esse cabelo cacheado.
Minhas pernas que antes eram instrumentos da brincadeira,
Ou minhas mãos que sempre foram para acariciar outras, pequeninas.
Uma reunião (na minha cabeça) entre diversas personas
Foi convocada porque vai haver um nascimento.
A menina, agarrada em seu urso, chora.
A idosa, tricota diversas roupas para cobrir seios e vergonhas.
A mãe, abre os braços, emocionada.
Vai nascer uma mulher
E, vejam, é linda.
E forte e doce.
Talvez desconheça o enorme poder que reside em seu coração.
No entanto, todas unem-se para ampará-la no ar.
Agora compreendo sobre corda bamba
Com igual ou mais propriedade que a equilibrista do circo.
Não é sobre desafiar leis da física,
É sobre desafiar morte com poesia.

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