18 de janeiro de 2010

Sobre a coragem.

Ninguém fala sobre o calvário da coragem.
Despindo-a da aura magnífica, glorificada em livros de aventura, em planos heroicos, na queda sem cordões, na luta diária dos injustiçados, ela também pode ser cinza.
Sem drogas, bebidas, dinheiro, ou remédios. Sem fugas paralelas, nem psicodelismo barato.
Tão difícil quanto provocações no deserto; tão menos recompensada quanto se espera: coragem é para gente grande, independente do tamanho.

Potencialidades

Acordar segundas-feiras nubladas.
Voar.

Pendurar com dedo mindinho.
Morrer sem parecer absurdamente triste.

Entristecer absurdamente sem morrer.
Porque metáforas são desculpas esfarrapadas do criador

para reconstruir em algodão.
Cuidado, território desconhecido (inclusive para mim).

17 de janeiro de 2010

Essas futilidades sempre emergem diante do caos.
Cortar cabelo e fazer as unhas são atitude desesperada
perante o fim de mim mesma;
Mas insisto.

Se for doer, mantenha distância.

Queria passar pelo mundo sem incomodar.
Com licença, passo leve, feito asa.
Sem culpa, ou crises banais.
Essas menoridades tão cansativas
sobre as quais todos querem falar.
Todos têm uma opinião,
do sociólogo ao dentista.
Todos querem discutir a relação,
menos eu.
Só preciso de um canto em silêncio,
um convívio regular,
visitas esporádicas ao meu coração.
Cuido de mim sozinha.
Faço orações, trabalho digno.
Pago as contas.
Minha alma tem portões
mais altos que a curiosidade alheia.
Não estou aberta a dissecações.
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