6 de agosto de 2009

Senhora, nobre senhora.

Sou muito mulher do meu tempo.
Carrego o mistério da vida
e das guerreiras que me antecederam o poder de ter ou não essa vida.
Não preciso casar pra ser gente,
nem amarrar meus pés a corrente alguma que não seja do meu agrado.
Prefiro aprisionar-me aos livros,
subjugar-me aos meus.
Se costuro é para trançar destinos.
Se cozinho, feitiços num solitário ritual.
Nada pode me prender
que não amor.

Sem feminismo,
necessito libertar desejos,
pois arte está no que penso ou sinto com espaço;
e respeito é território duramente conquistado.

Ser anjo;
ser puta;
estar várias é milagre feminino.

De cabeça erguida, grito alto:
"sou quem quiser,
não o que querem,
por conceber das minhas entranhas
o próprio poder da escolha.
Humana, falível, imperfeita e deliciosamente dona de mim."

Sou nobre senhora do meu tempo.

Um comentário:

Um ser sendo disse...

Ai Pri, que coisa linda!

Não tenho nem o que comentar, só elogiar:

LINDO, LINDO, LINDO.

Parabéns por versos tão lindos.

Marcela

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