19 de janeiro de 2008

Quando abri os olhos essa manhã
abri os olhos por dentro
Cada órgão
todo o sangue
os anões que trabalham na minha sessão interna de R.H...

... todos olhavam para mim.
Quando abri os olhos essa manhã
tive medo
Apertei o lençol entre os dedos
mas ele escapou nos punhos da minha mãe
E acordei
por fora
- Por dentro continuo adormecida.
Sei que ele não virá
Tudo que aprendi até hoje na vida
é que não virá
“ não existe!!!”
Fica restrito a listas de papai-noel e coelhinhos da páscoa

Que ele não pode vir
já sei
Mas não sei por que
- E pode ser bobeira
sinto-o cada vez mais perto!
Talvez seja a voz da Loucura
valsando nos pensamentos
E não a dele
Os sonhos devem ser manuscritos de Freud
decifrados em parágrafos complexos
E não mensagens dele
O vento que invade meu corpo
quando penso em desistir
pode ser uma mera mudança de clima
um vento qualquer perdido nos cabelos
E não o sopro dos lábios dele...

Que seja.
que converse sozinha manhãs tarde noites
Desenhe versos nas paredes do mundo inteiro
seja expulsa!
Tenho o direito de endoidecer
Ouviram?
Tenho o direito de endoidecer!
Não podem evitar
que fique sã ou endoideça
que seja o frio ou o próprio sol
porque de amor hei de morrer!
Por mais fora-de-moda que isso seja.
De amor hei de morrer
porque o amor é:
(correspondido ou não
entre homens e mulheres, ou não
entres apenas bons amigos, ou não
palpável e engravatado, ou não)
- O melhor motivo para se morrer nessa vida. -
Ouviram?
O melhor!
Não quero morrer de doença no corpo
Resfriado
Ou com uma manga na cabeça.
De amor hei de morrer...





... cada santo dia
da minha vida eterna
ao seu lado

meu amor.

2 comentários:

Chuck disse...

Não endoideça por isso fique louca por amor e não por achar q não é amada ...

não espere de uma pessoa enrolada e carente o q ela não pode te dar ...

mas tenha a certeza que ela te ama de um jeito peculiar...


amei seu texto e como sempre vc toca e mexe nos meus mais profundos sentimentos ...

beijos

.Zé disse...

AMAR

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrga ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e
uma ave de rapina.

Este o nosso destino:amor sem conta,
distribuido pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

"Drummond"

AME sempre, Princesa.

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