14 de novembro de 2017

Voz

Depois de você, perdi as palavras. 
Não escrevi nos papéis soltos pelos cantos do quarto, 
Não rabisquei no diário dentro da mochila, 
Evitei a agenda velha na escrivaninha da sala, 
Nunca mais usei o caderno da segunda gaveta, 
Nem as infinitas páginas do Word, a minha disposição. 
Nada de bloco de notas, nem blog, nem nada. 
Depois de você, perdi as palavras 
E foram elas que me encontraram, devastada. 
Hoje, escrevi nos papéis. 
Rabisquei o diário. 
Abracei a agenda. 
Desenhei no caderno. 
Escrevi palavrões (impublicáveis) no Word, que continua a minha disposição. 
Escrevo esse poema no bloco de notas minutos antes de publicá-lo, 
Porque agora estou aqui. 
Depois de você encontrei minha voz perdida.

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