6 de setembro de 2014

Líquida

Não existe beleza na minha escrita. 
Venho de um passado tímido 
Com contornos acabrunhados. 
“A letra que quase some em si mesma.” 
O mundo gravou muitos ruídos no meu corpo 
E eu engoli. 
Mas aí, numa madrugada qualquer de setembro, 
Eles resolveram sair em jorros 
Pra molhar os lençóis brancos, bonitos, brilhantes 
Da minha cama. 

Molhar os lençóis aos vinte e oito anos com um jorro bestial podia ser motivo de vergonha. 
Mas eu sinto que desfazer-me líquida é uma questão de recomeço: 
- A letra que quase some em si mesma - não cabe mais no espaço burocrático de duas linhas.

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