2 de fevereiro de 2013

Para ele.

Meu amor,
Tropecei a vida inteira em mim mesma,
Vaguei por ruas desertas,
Criei um mar profundo com tanta água sobre, sob, entre os vãos
Do meu peito.
Você foi barco amigo
Com âncora, bote e cobertor,
Mas não estava pronta
E me soltei com a força da maré.

Meu amor,
O calor dos seus abraços dá uma terrível abstinência de saudade,
Então ensaio algumas lágrimas enquanto as algas se enrolam em meus cabelos
Para me fazer sã,
Em meio à tempestade.
Quando tudo passar,
Talvez fique claro o farol
Pra nós dois.
Por enquanto, quero emergir todos os defeitos que me prendem ao fundo
Sem respirar.
Quero aprender a paz em mim
Para ser melhor quando subir até você.
Porque um dia, estaremos próximos, eu sinto.

Não poderei te oferecer o que deseja, não satisfaço nem a mim.
Mas existe amor além do amor, sabia?
Quero estar além contigo, assim junto.
Para te contar histórias de adormecer e de acordar anjos.
Pode demorar oceanos inteiros para encontrá-lo novamente,
Mas eu espero.
Porque já esperei muito, por muitas vidas.

3 comentários:

Alice disse...

É sempre um alento vir aqui e saber desse teu mundo, Pri.

Priscila Machado. disse...

É sempre bom saber de você, Alice, obrigada pelo carinho de sempre. :*

Regina Machado disse...

Sonhar faz com que a mente crie cada vez mais. Podemos sonhar fora do chão, flutuando no ar com ideia mirabolantes, mas também podemos sonhar com gravuras que servem para contracenarem conosco em busca da nossa realidade e fazer com que ela se torne realmente uma realidade. Esse seu mundo é um mundo dos vivos que relutam para se encaixarem em algum lugar. Lindo o seu poema. Encantada!Excelente vir aqui e entender que temos cérebros que pensam, criam e nos levam a pensar.

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