23 de janeiro de 2012

Das pequenas grandes lições.

Seis horas da manhã, cara amassada, resmungos, por que isso?, por que aquilo?... e distraída com tantos pensamentos pessimistas de uma segunda-feira, olho para o chão.
Umas formigas tão pequenas e insignificantes levavam um besouro morto, nas costas. Umas iam à frente, abrindo caminho como arautos, outras, com escancarada dignidade, carregavam o troféu. Tinham firmeza nos pés e certeza no propósito, que era coletivo.
Esqueça, caro leitor, o equilíbrio ecológico, a preservação de espécies, não foi assim. Pensei nas cidades subterrâneas fluindo organizadamente embaixo dos meus pés. Nas diversas formiguinhas bebês que nasceriam nos próximos dias. Em como eles funcionam, e nós não. Pensei em tudo isso, enquanto as minhas companheiras ganhavam dimensão desconhecida; e desviei, cheia de cuidados.
Não me lembro se reclamei mais naquele dia, provavelmente sim... Mas esses pequenos, ah! recriam o mundo embaixo dos narizes arrebitados! e tem a sutileza de uma pena sobre a água.

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