30 de novembro de 2008

- Godofredo?
- Sim...
- Blogs também servem para dizer que queremos um namorado?
- Não.
- Por quê?
- Ahm, porque soa desesperado. Coisa de menina carente e talz.
- Ah... Godofredo?
- Sim.
-(...) Ele vai vir?


Ele cerrou a sobracelha e não respondeu.
Encontrei um bilhete na cama, no outro dia:

"- Ele vem."

Contando planetas

Meu muro quase tampa todo o céu
Mas tem uma fresta
que fica no eixo exato da janela
quando aberta.
E que fica também
no rumo exato
daquela estrela
que me disseram que é planeta.
- Eu acho que é estrela.
Essa noite fiz três pedidos pra ela.
Então, na fresta do muro,
no rumo da janela,
naquele curto espaço de quarto
e infinito espaço de céu,
vão acontecer meus pequenos milagres:

que a fresta não desapareça;
o rumo não desvie;
e a estrela/planeta me inspire aonde eu for.

29 de novembro de 2008

Da necessidade de escrever

Faz versos, pequena!
Fala dos sentimentos etéreos
Que esperam do outro lado da janela
Para serem uma única vez.

Tira delicadamente as palavras dos cabelos.
Essas coisas que querem dizer
E não dizem.

Os portais do tempo são seus.

Conhece tão bem
A tragédia e o milagre
De possuir a tradução dos sentimentos humanos.
Isso despertará pena
E ciúmes.

Sua missão lhe empurrará de precipícios
Para ensinar a pairar debaixo do céu
E em cima do fim.

28 de novembro de 2008

Eu vou estar.

Você vai passar.
Eu sei.
Outros planos,
uma vida diferente.
Sei que vai querer seu espaço.
Formar família,
criar filhos.
Recitais
e formaturas.
Sei que vou estar numa lembrança.

Pensamento distante em dia de chuva.

Vou caber no segundo
em que abrir aquele caderno.
Encontrar aquele bilhete.
Vou ficar ali, num compartimento distraído da gaveta
até você achar.

Vou deitar meus braços na foto antiga
que ficou dentro da décima primeira página
do livro que você mais gosta; mas não leu.

Vou adormecer lá.

Naquele versinho de letra difícil
Na música de letra fácil.
Pátio da escola.
Árvore velha.
Casa 13, rua Perdida
do mapa que não existe mais.

22 de novembro de 2008

I miss you love.

Nessa época a solidão se emancipa,
desfigura e segue identidade própria
puxando a seqüência dos meus passos.
As luzes das lojas
das vitrines, viadutos
não iluminam nada.
Confundem o caminho
com sombras que não são seus olhos.
Tem meu amor.
Tem seus olhos.
Permaneço aquecida enquanto a lembrança está comigo.

Nessa época fica mais difícil sair do quarto.
Fica perigoso as multidões misturadas com as luzes todas.
Não consigo ver.
Do outro lado está nosso quintal
Vazio.
Está nosso jardim
E as pragas do jardim
E os monstros do jardim
Do outro lado...
eu sinto falta de você.
Sinto muita falta de você.
Sei que tenho que fingir
que o poema não é sobre isso,
mas sinto muita falta
dentro de mim.

E nessa época,
principalmente nessa época, me lembro.

19 de novembro de 2008

Acho que perdi a mão.
Igual quando a receita queima,
ou fica salgada.

Estou numa fase: ‘não escrever a qualquer custo
para não perceber o que estou sentindo.’




Perdeu-se.
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