11 de abril de 2008


- aos Pequeninos.

Eles me olham nos olhos
todo dia.
Todo dia eu olho
nos olhos deles.
Data, oração, apostila.
Recreio.
Mais apostila...
E no meio todos os sonhos que puder encaixar.

Flores nas pontas dos dedos.
Guache, pincel.
Margem.
Sulfite explodindo chuva branca
pelas frestas dos armários.
Pó de giz nevando
faz-de-conta no verão.
Todos os compassos do mundo
arredondando (ainda mais) os planetas.
Letras escorrem
 oceanos inteiros:
   “onde moram as sereias?”
- Sim! E as estrelas-do-mar!
Leitura em voz alta
"Para a velhinha da última cadeira imaginária escutar”
- Pode me ouviiiir?
Ela sempre sorri e nós sorrimos com ela...

Gelatina sexta-feira depois da lição.
Amarela. Rosa. Verde.
Verde. Rosa. Amarela.
"Arco-íris de pintar estômago!"
(...)
Final de semana;
E eu aqui, doída de saudade.


     Ser professora é quando seu amor foge do peito
para dentro dos cadernos.

2 comentários:

Maria Clara disse...

Obrigada pela visita!

"Finais de semana são produtivos para um projeto de escritora mal sucedido.
As idéias surgem como as graminhas no canto da parede cimentada.
Crescem no seco."

Adorei isso!E o último post dá vontade de ser professora ^_^

Bruno Oliveira disse...

‘Não sou Alice, nem Chapeleiro Louco, sou o chá que eles tomaram...’, huahuahua. Genial!!! Também sempre achei que Alice era chegada em um chá de cogumelos alucinógenos.

Ah, sempre tive vontade de comer um monte de coisa que tem cheirinho bom, se cheira bem deve ser gostoso, né. Ou nem sempre. Sei lá.

Gostei da sua poesia de pequenas miudezas, pequeninas palavars. Palavras que ficam.

Beijosnocérebro

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