6 de julho de 2016

(...) sem perder a ternura.

Noite passada encontrei minha menina: doce, vestido rodado e longos cabelos.
- São muitos os lobos, você precisa crescer - expliquei.
Aquele ser encantado não questionou, apenas sorriu e adormeceu nos meu braços de "adulta responsável".
Foi velando seu sono que, finalmente,  compreendi.
Ela não pode ser o que sou, sendo parte tão importante de mim. Se morrer, como reconhecerei a pureza do mundo? Como entenderei os olhos de uma criança? Como encontrarei o amor?
Minha pequena precisa existir pra que eu exista completa.
Sou forte, posso cuidar dela, bem como consolá-la quando a realidade é cinza, mas não consigo sozinha. Preciso da criança porque sou infância também.
E, ademais, posso ser várias: mulher é desdobrável, não é, Adélia?
- Nós somos.

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