Tenho 34 anos
E quero ser mãe.
Um pouco mais de 6 anos por meios naturais,
Um prazo estendido, se for adoção.
Uma vontade de dividir isso com um companheiro
Mas também pode ser sozinha, se não der pé.
Então fiz esse poema para registrar esse desejo
Na esperança de voltar para reler,
Porque a vida é uma eterna releitura, no fim das contas.
Tenho 34 anos:
Esse é meu amor expandindo!
E como não consegui fotografar o exato momento da explosão,
Escrevi.
Tem um tanto de singeleza nos poros, ramo, flor, semente
Uma jardinagem intensa no meu coração.
Penso na situação do país, guerras, ecologia,
Entretanto a vontade segue comigo,
Sobreposta e imensa.
Como não consegui fazer uma canção sobre o exato momento,
Escrevi.
Tenho 34 caminhos abertos em mim.
Penso na maternidade desafiadora,
Minha filha ri em algum lugar, aguardando, aguardando...
Ela já está pronta.
Como não pude pintar um quadro sobre,
Escrevi.
Tenho mais de três décadas desaprendendo
Para ser mãe.
Estou pronta?
Ela cochicha que o caminho se faz caminhando.
Como não pude esculpir uma obra,
Escrevi meu poema pré-maternidade
Para minha filha que vai chegar.
23 de julho de 2020
24 de maio de 2020
Em dobro.
Nessa quarentena escutei seu nome quarenta vezes
Desenhei seu rosto quarenta vezes
Cantei nossa canção quarenta vezes
Chorei quarenta e uma vez que durou a noite toda.
Nessa quarentena nutri meu amor-próprio quarenta vezes
Revisei meus motivos outras quarenta
Mordi os lábios quarenta vezes
Enlouqueci quarenta e uma vez que quase te liguei.
Não liguei.
Nessa quarentena seu fantasma me assombrou quarenta vezes,
Mas ressuscitei oitenta
Eu sempre me reconstruo
Em dobro.
Ser ímpar é resistência.
Desenhei seu rosto quarenta vezes
Cantei nossa canção quarenta vezes
Chorei quarenta e uma vez que durou a noite toda.
Nessa quarentena nutri meu amor-próprio quarenta vezes
Revisei meus motivos outras quarenta
Mordi os lábios quarenta vezes
Enlouqueci quarenta e uma vez que quase te liguei.
Não liguei.
Nessa quarentena seu fantasma me assombrou quarenta vezes,
Mas ressuscitei oitenta
Eu sempre me reconstruo
Em dobro.
Ser ímpar é resistência.
20 de abril de 2020
Matriosca
Estar isolada dentro do isolamento
É ficar numa caixa dentro de outra caixa.
Hoje, espiei pra fora: olá, mundo exterior.
Esse dom para reinventar está aqui.
Tomo posse de mim mais uma vez.
É ficar numa caixa dentro de outra caixa.
Hoje, espiei pra fora: olá, mundo exterior.
Esse dom para reinventar está aqui.
Tomo posse de mim mais uma vez.
18 de abril de 2020
Joia da semana
Hoje é sábado
Então me permito alguma alegria.
Abro as janelas
Canto desafinado,
Porque é sábado, afinal!
Não tem vírus, medo, tristeza que apaguem essa luz:
Confiar é extremamente luminoso.
Tenho tudo e mais um pouco para dividir.
Hoje é sábado, o amanhã se basta.
Brindemos esse presente.
Então me permito alguma alegria.
Abro as janelas
Canto desafinado,
Porque é sábado, afinal!
Não tem vírus, medo, tristeza que apaguem essa luz:
Confiar é extremamente luminoso.
Tenho tudo e mais um pouco para dividir.
Hoje é sábado, o amanhã se basta.
Brindemos esse presente.
4 de abril de 2020
1 de abril de 2020
Vocês são importantes.
Boletim da quarentena: tem alguém aí?
Estou descobrindo cantos da casa inexplorados,
Cantos de mim, quase intactos.
Tem alguém aqui?
Vejo números e mais números na tv.
Quem eram essas pessoas?
Elas cantavam no chuveiro, faziam palavras cruzadas, sonhavam em conhecer outro país?
Não quero ser estatística também,
Sou professora.
Tinha aulas todos os dias sobre ser gente.
Humana.
Não número.
As crianças me ensinaram, pacientemente, sobre a vida.
Tenho medo de esquecer,
Ou não ter aprendido o suficiente.
Elas ensinaram, sobretudo, não coisificar pessoas.
Por isso, guardo aqui a memória dos que se foram:
Vocês são importantes.
Estou descobrindo cantos da casa inexplorados,
Cantos de mim, quase intactos.
Tem alguém aqui?
Vejo números e mais números na tv.
Quem eram essas pessoas?
Elas cantavam no chuveiro, faziam palavras cruzadas, sonhavam em conhecer outro país?
Não quero ser estatística também,
Sou professora.
Tinha aulas todos os dias sobre ser gente.
Humana.
Não número.
As crianças me ensinaram, pacientemente, sobre a vida.
Tenho medo de esquecer,
Ou não ter aprendido o suficiente.
Elas ensinaram, sobretudo, não coisificar pessoas.
Por isso, guardo aqui a memória dos que se foram:
Vocês são importantes.
21 de março de 2020
Batismo
Eu sei como falar
Porque pego sapiência com a minha criança
E digo minhas pequenezas de ser gente.
Importância das coisas humanas nem sei se tem,
Mas ela não importa se é necessária.
Ela existe e pronto
E existindo, diz.
Às vezes, me acorda
Puxando o cabelo:
- Precisa ser agora? - manifesto.
Urgência é para criança.
Eu chamo poema, ela chama brinquedo.
Faz festinha quando canto no delírio dela.
Quando estou triste, pra morrer,
A menina inverte e canta pra mim:
Desconfio que me batizou na infância.
Porque pego sapiência com a minha criança
E digo minhas pequenezas de ser gente.
Importância das coisas humanas nem sei se tem,
Mas ela não importa se é necessária.
Ela existe e pronto
E existindo, diz.
Às vezes, me acorda
Puxando o cabelo:
- Precisa ser agora? - manifesto.
Urgência é para criança.
Eu chamo poema, ela chama brinquedo.
Faz festinha quando canto no delírio dela.
Quando estou triste, pra morrer,
A menina inverte e canta pra mim:
Desconfio que me batizou na infância.
5 de dezembro de 2019
Sobre o eterno retorno
Desenha um coração na contracapa do meu livro?
Quero me apaixonar antes do final dos tempos.
Pois só amor me arrasta pra dentro e fora de mim mesma.
O que eu vivi nesses últimos dias foi sobre separação.
A dor me ensinou muitas coisas.
Mas agora estou aqui, oferecendo minha contracapa pra você
Justamente porque aprendi muitas coisas.
Tenho avessos terríveis,
(Quem não tem?)
Mesmo assim ainda vale explorar o universo alheio.
Também tem o lance do final dos tempos que acrescenta um caráter urgente tão
“Cantada barata”
Porém eficaz.
Ah, quer saber?
Eu topo tudo de novo.
E você?
Quero me apaixonar antes do final dos tempos.
Pois só amor me arrasta pra dentro e fora de mim mesma.
O que eu vivi nesses últimos dias foi sobre separação.
A dor me ensinou muitas coisas.
Mas agora estou aqui, oferecendo minha contracapa pra você
Justamente porque aprendi muitas coisas.
Tenho avessos terríveis,
(Quem não tem?)
Mesmo assim ainda vale explorar o universo alheio.
Também tem o lance do final dos tempos que acrescenta um caráter urgente tão
“Cantada barata”
Porém eficaz.
Ah, quer saber?
Eu topo tudo de novo.
E você?
7 de novembro de 2019
A ceia
Sonhei contigo,
Mas achei a realidade mais onírica
Do que o devaneio realístico da minha mente.
É minha nova habilidade para concretizar amor.
Por isso, vem pra perto ainda hoje na ceia sagrada que te proponho:
Serei pão e vinho materializados,
Porque nem minha carne, nem meu sangue carecem alegorias.
Só afeto
E tesão.
(Registro aqui a beleza corpórea do nosso enlace)
Mas achei a realidade mais onírica
Do que o devaneio realístico da minha mente.
É minha nova habilidade para concretizar amor.
Por isso, vem pra perto ainda hoje na ceia sagrada que te proponho:
Serei pão e vinho materializados,
Porque nem minha carne, nem meu sangue carecem alegorias.
Só afeto
E tesão.
(Registro aqui a beleza corpórea do nosso enlace)
O brinde
Quero reencontrar minhas vulnerabilidades
como velhas conhecidas na mesa do bar:
- Oi, vocês cresceram!
- Pois é, estamos cada dia mais frágeis, olha aqui essas feridas,
essa poesia irremediável,
essa pressa de ser feliz.
Então pedirei:
- Uma dose, por favor, para o brinde dos sobreviventes!
como velhas conhecidas na mesa do bar:
- Oi, vocês cresceram!
- Pois é, estamos cada dia mais frágeis, olha aqui essas feridas,
essa poesia irremediável,
essa pressa de ser feliz.
Então pedirei:
- Uma dose, por favor, para o brinde dos sobreviventes!
23 de outubro de 2019
Arrumação
Cada sentimento em um pote colorido.
Estou organizando meu mundo interior.
Carência sempre fica no frasco maior
Sem nunca preencher o vidro.
Quando a visita chegar, quero estar presente.
Estou faminta por compartilhar a minha vida.
Meu ofício: catalogar coisas que doem e brilham,
Sabendo que as primeiras lotam mais prateleiras que as últimas.
Sabendo que as últimas iluminam a casa toda!
É quando tudo, inexplicavelmente, encontra seu lugar.
Escrever é codificar arquivos invisíveis.
Estou organizando meu mundo interior.
Carência sempre fica no frasco maior
Sem nunca preencher o vidro.
Quando a visita chegar, quero estar presente.
Estou faminta por compartilhar a minha vida.
Meu ofício: catalogar coisas que doem e brilham,
Sabendo que as primeiras lotam mais prateleiras que as últimas.
Sabendo que as últimas iluminam a casa toda!
É quando tudo, inexplicavelmente, encontra seu lugar.
Escrever é codificar arquivos invisíveis.
17 de setembro de 2019
Sobre banners e fichas que caem de repente
Cena: loja de departamento.
Eu com uma mochila gigante nas costas, saindo, duas pessoas entrando na tal loja, recuo rapidamente para esquerda, mais pra não ser atropelada, menos por gentileza. A bolsa bate no cavalete que cai estrondosamente com o banner da coleção primavera-verão.
Silêncio.
Agacho desajeitada e roxa de vergonha. Um mocinho uniformizado vem solícito. Entro em modo automático:
- Moço, desculpa, eu sou um DESASTRE.
Ele se agacha pra ajudar: - Imagina, moça!
Mas penso, numa fração de segundo e conserto:
- Não. Não sou um desastre. Tô tentando fazer o melhor que eu posso.
Silêncio.
Ele sorri estranho, me achando louca da cabeça e possivelmente uma pessoa violenta. Saí saltitante com minha resposta. Levou tempo para conseguir dizê-la.
Autoestima também se constrói em lojas de departamento.
Eu com uma mochila gigante nas costas, saindo, duas pessoas entrando na tal loja, recuo rapidamente para esquerda, mais pra não ser atropelada, menos por gentileza. A bolsa bate no cavalete que cai estrondosamente com o banner da coleção primavera-verão.
Silêncio.
Agacho desajeitada e roxa de vergonha. Um mocinho uniformizado vem solícito. Entro em modo automático:
- Moço, desculpa, eu sou um DESASTRE.
Ele se agacha pra ajudar: - Imagina, moça!
Mas penso, numa fração de segundo e conserto:
- Não. Não sou um desastre. Tô tentando fazer o melhor que eu posso.
Silêncio.
Ele sorri estranho, me achando louca da cabeça e possivelmente uma pessoa violenta. Saí saltitante com minha resposta. Levou tempo para conseguir dizê-la.
Autoestima também se constrói em lojas de departamento.
Assinar:
Postagens (Atom)