13 de abril de 2013
Matemática
Crescei-vos e multiplicai-vos. Eu não sei se estou crescendo, mas me multiplico diariamente para 30 crianças e elas se multiplicam dentro de mim, me ensinando dividir coisas que estão além das coisas.
12 de fevereiro de 2013
Sementeiras
Escrevo para não morrer.
Escrevo para viver.
Existem mortes de acidente, mau funcionamento do corpo,
Mortes súbitas.
A morte de quem precisa e não escreve, é lenta.
Quem não abre espaços na folha semeia vazio,
Mas as palavras são pequenos pedaços de vida na imensidão da
Terra.
Escrevo para viver.
Porque sobrevivi ao apocalipse
Pisando o chão da minha cabeça.
Porque vejo sementes na podridão dos lamaçais,
Vejo, no solo, minerais necessários ao florescimento.
Tenho comigo a crença na ressurreição dos mortos,
Porque já renasci do avesso da tragédia.
Escrevo porque a única coisa que resta a um errante
É o grito.
Então eu grito, mesmo que seja no escuro de uma sala escura
Dentro de mim.
Mesmo que essa luz seja para ninguém,
Sou encarregada de acender o lampião,
E cultivar as esperanças.
The Hole
No país dessa vida cortam-se cabeças,
Pintam-se rosas às pressas
De sangue.
Na sem lógica do amor
Poucos resistirão
Sãos.
Na minha loucura te vejo nos meus sonhos
Tão real que chega a doer.
Sinto o cheiro,
O toque,
Ouço a voz dentro da minha cabeça me falando.
- Retire-se da minha fantasia, agora!
Porque já sou vícios demais.
Não tenho estrutura para alojar nós dois em mim.
É preciso cortar, antes que seja denso
E transferir pra vida, aquilo que não se pode matar.
Mas ergo as mãos em desistência: sou incapaz de esquecê-lo
sozinha.
Fico pairando feito pluma ao vento das tentações.
Se você me chamar, eu vou.
Animal adestrado frente ao círculo de fogo,
Eu vou.
Homem bomba no avião suicida,
Eu vou.
Explorador frente à montanha congelada
Eu subo até você.
Porque existe uma força incontrolável de cair.
- Você é meu coelho branco.
2 de fevereiro de 2013
Para ele.
Meu amor,
Tropecei a vida inteira em mim mesma,
Vaguei por ruas desertas,
Criei um mar profundo com tanta água sobre, sob, entre os
vãos
Do meu peito.
Você foi barco amigo
Com âncora, bote e cobertor,
Mas não estava pronta
E me soltei com a força da maré.
Meu amor,
O calor dos seus abraços dá uma terrível abstinência de
saudade,
Então ensaio algumas lágrimas enquanto as algas se enrolam
em meus cabelos
Para me fazer sã,
Em meio à tempestade.
Quando tudo passar,
Talvez fique claro o farol
Pra nós dois.
Por enquanto, quero emergir todos os defeitos que me prendem
ao fundo
Sem respirar.
Quero aprender a paz em mim
Para ser melhor quando subir até você.
Porque um dia, estaremos próximos, eu sinto.
Não poderei te oferecer o que deseja, não satisfaço nem a
mim.
Mas existe amor além do amor, sabia?
Quero estar além contigo, assim junto.
Para te contar histórias de adormecer e de acordar anjos.
Pode demorar oceanos inteiros para encontrá-lo novamente,
Mas eu espero.
Porque já esperei muito, por muitas vidas.
20 de janeiro de 2013
19 de janeiro de 2013
Dois?
Me diz dentro dos ouvidos
aquela frase que abençoa toda minha trajetória.
Aquela palavra específica naquele momento certo
para acalmar meus instintos
E racionalizar meus medos.
Só você, com sonhos brancos, bonitos, brilhantes,
pode apertar os meus numa aura carinhosa.
Eu te acompanho
por ruas eternas antes que o dia amanheça
ou a gente anoiteça.
Não gosto de seguir, prefiro conduzir,
mas nesse caso, apenas nesse,
posso botar os braços no seu pescoço pra variar um pouco.
E dançar sob a luz dos seus olhos
até a realidade permitir nós dois.
18 de janeiro de 2013
Sobre asas.
Dentro de mim mora uma menina
Tanto assustada
Tanto indecisa
Com pezinhos nas nuvens
E raízes nos cabelos.
Dentro de mim tem a intuição do torto e direito
E no meu útero pulsam instintos primitivos
De tempos remotos
Que me conectam à Terra.
Eu não ouvia essa menina.
Amarrava seus tornozelos e cortava seu comprimento.
Quantas vezes morreu, sem nunca me maldizer.
Mas hoje ela me ameigou por dentro transformando pedras em
flor.
Hoje ela me olha bem fundo, pedindo: “Abra os braços!”
Que será meu guia
Onde eu for.
E nada vai destruir um amor assim tão bonito, entre nós.
Ela é minha menina, que eu aprendi a amar
Ela é meu estandarte, porta bandeira, o que for!
Que não calo mais.
Calar pássaros é coisa de homem, nasci para escancarar gaiolas.
E sinalizar o céu.
1 de janeiro de 2013
27
Em breve, aniversariante outra vez,
Notarão uma ruguinha que não existia
Ou uma mania ranzinza que o tempo moldou.
Mas os mais chegados sabem
Do sorriso cada dia mais esparramado,
Dos olhos brilhantes em qualquer fotografia.
E foi isso que esses anos me trouxeram.
Essa beleza tão extasiante que não consigo mais disfarçar.
Escondi por tempo demais...
Contudo, hoje, considero egoísmo não dividir essa dádiva com
o mundo.
Tudo faz tanto sentido que tenho medo de entender o criador,
Sendo mera criatura.
Mas se existe Deus, em algum lugar no espaço/tempo,
Como acredito que exista,
Eu queria olhar nos olhos dele e dizer que faz sentido.
Tudo faz sentido pra mim.
Aceito tudo aquilo
que um dia questionei
Porque vislumbrei a perfeição das coisas
E chorei por horas
seguidas
Sem poder explicar.
Eu sei, sou tão pequena, tão pequena...
Mas preciso agradecer a grandiosidade dessa rede invisível
que me sustenta no Universo.
Não sei se consigo expressar a felicidade que me constitui
nesse minuto infinito,
Então eu fecho os olhos (...)
para finalmente sentir a paz que tanto procurei em mim.
Não tenho o futuro,
Sinto as rédeas na palma da mão,
Desejando, profundamente, que elas sejam guiadas com a
sabedoria
superior que iluminou cada fresta do meu peito,
até me fazer
enxergar.
- Esse poema é a prece guardada que nunca consegui dizer.
13 de dezembro de 2012
Os mistérios da jardinagem
No começo, tinha muita vergonha de olhar nos olhos de qualquer pessoa, por isso perdi muito tempo. Hoje, ainda me pego desviando o olhar furtivamente, agarrando em qualquer coisa que possa me salvar do outro. Mas daí vem uma coragem ‘sabeseládeonde’ me convencendo, feito criança, a subir na bicicleta, cambalear para ambos os lados, cair, tentar de novo: - Um pouquinho de cada vez – ela diz.
Um pouquinho de cada vez e já posso olhar para traz com uma pontinha de orgulho. Foram passos lentos, numa valsa desajeitada, mas andei. Não tenho vocação para estátua de museu.
- As pessoas mudam - fiquei pensando. E talvez, o poeta diria: as rosas acordam – e complementaria: na hora certa.
Eu acordei. Tenho uma alma inquieta que não pretende adormecer nunca mais.
19 de novembro de 2012
Gentilmente:
Quando o menino gostava da menina , para demonstrar, aprendia sua música preferida no violão. Ela, mesmo não entendendo nada, assistia futebol para ter assunto com ele. Mudava-se o penteado, colocava-se o vestido pedido, ou abríamos mão de determinadas manias. Não era falta de opinião, nem perder individualidade, era GENTILEZA. No mundo da overdose dos espelhos quem der o primeiro passo em direção ao outro vai descobrir um universo inteiro ao alcance das mãos. E o ser-humano, para mim, continua sendo um dos lugares mais fantásticos para mergulhar.
3 de novembro de 2012
Pensando alto
Na tv, zapeando, vi um elefante que fala coreano, porque aprendeu a imitar a voz do seu treinador e repete algumas palavras.
- Fantástico esse animal! - pensei.
Pesquisadores virarão o bicho de ponta-cabeça com diversas pesquisas para tentar compreendê-lo, mas eu sei o que ele quer. Ele quer se comunicar conosco, com a tão decadente raça humana, pois percebeu que dentro do nosso atraso nunca entenderemos gestos sutis e delicados dos animais, é preciso ser mais óbvio. É preciso falar a língua desses seres tão emburrecidos: ele quer pedir socorro.
http://migre.me/bx1fo
- Fantástico esse animal! - pensei.
Pesquisadores virarão o bicho de ponta-cabeça com diversas pesquisas para tentar compreendê-lo, mas eu sei o que ele quer. Ele quer se comunicar conosco, com a tão decadente raça humana, pois percebeu que dentro do nosso atraso nunca entenderemos gestos sutis e delicados dos animais, é preciso ser mais óbvio. É preciso falar a língua desses seres tão emburrecidos: ele quer pedir socorro.
http://migre.me/bx1fo
29 de outubro de 2012
22 de outubro de 2012
20 de outubro de 2012
13 de outubro de 2012
la mentira
Sai de trás desse muro e vem me ver.
Eu solto as armas
e compro um livro pra você.
Leio debaixo da árvore seu poema favorito milhões de vezes
até a gente se gastar.
Daí você me desenha no teu esboço
pra começar nossa história.
Se as editoras não gostarem de nós,
não tem medo não!
Grafo a gente na árvore
até que um machado
solte nossas letras no espaço.
Mas aí, um distraído apanhador de borboletas, há de nos
juntar um dia.
E colocar na sua coleção rara
que vai para o museu da cidade.
Os casais vão ler nossas asas,
as velhinhas vão suspirar,
e os homens de terno, discretamente,
tirarão fotos
para ninar seus filhos.
Sai de trás desse muro que essa mentira eu inventei só pra
trazer você pra mim.
9 de outubro de 2012
Ângulo
O problema é que espero,
que tenho esse amor simples e tolo
de encantamentos.
A dádiva é que me encanto,
que tenho esse amor simples e doce
de esperança.
17 de setembro de 2012
Ex-terior
João amava Teresa que amava Raimundo
e todo mundo amava menos eu.
Todos existiam no mundo desfazendo-se em dor ou prazer
E escreviam longas cartas de amor;
Ou planejavam férias;
Ou tomavam sorvete na praça de mãos dadas;
Brigavam pelo filme, pela roupa, pelo tempo;
- Menos eu.
Não dói,
mas tenho medo de não doer nunca.
e todo mundo amava menos eu.
Todos existiam no mundo desfazendo-se em dor ou prazer
E escreviam longas cartas de amor;
Ou planejavam férias;
Ou tomavam sorvete na praça de mãos dadas;
Brigavam pelo filme, pela roupa, pelo tempo;
- Menos eu.
Não dói,
mas tenho medo de não doer nunca.
11 de setembro de 2012
Redenção
Aprendemos entrar no outro
sobre linhas imaginárias.
Mas um vento muda tudo.
Mudamos nós?
Ou as circunstâncias?
E tudo se perdeu.
Queria dizer que ainda tem um lugar aqui
para dividir o que guarda aí.
Erro muito,
desvio barcos,
assombro as águas.
Seja o farol para me regressar.
Pega minha mão quando não conseguir ver
porque as marés me arruínam.
Só contigo, agarrada em seus braços,
voltarei ao exterior.
Perdoa as águas frígidas
em que atirei nosso pacto.
Não era assim.
Não devia ser.
O abismo, posterior, saiu do controle,
pois não estava mais comigo.
Eu não queria mais correr.
No entanto, que destino,
você vai.
você vai.
E no horizonte de Dom Sebastião,
para me limpar de qualquer culpa de te afastar,
amarro meus balões de esperança.
- Esse poema é um (acanhado) pedido de perdão.
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