Nunca! Como pôde pensar isso? Te tenho em grande afeto. Mesmo depois daquele dia que você sumiu, lembra? Te encontrei naquele esconderijo do sofá, com medo de levar bronca. Você, diferente do porquinho da Índia, sempre preferiu grandes almofadas.
Nunca vou brigar contigo por querer estar sozinho, por mais que o monstro da carência roa meus dedinhos do pé. Eu mastigo as unhas e como minhas mãos, mas sei esperar. Enquanto está longe, fiz mil planos. Cortar o cabelo, uma viagem talvez. Tem também umas cartas, logo saberá. Nelas usarei metáforas de morte, fique frio, nunca foi meu desejo. Se fosse pra querer alguma coisa, um chute no seu saco já estava de bom tamanho.
11 de agosto de 2015
Das cartas I
Desde então todas as palavras estão aqui, dentro de mim, mas um dia farei um cordão. Elas sairão feito truque de mágica da minha boca sobre a platéia, atônita. Sou boa nisso: guardadora de palavras que queria dizer, mas pensei depois, enquanto voltava pra casa.
Tudo soa estúpido, nas horas erradas. Esse texto, por exemplo, era muito melhor na minha cabeça. Talvez delete. O fato é que ando a procura de alguém macio, onde possa deitar palavras e achei que você era assim, bem confortável pra toda essa timidez. Pessoas ásperas já vi demais, tenho medo de me tornar assim, se é que ainda não me tornei.
Tô com medo. Você pode me martelar (com martelinho de carne) se um dia eu endurecer e perder a ternura?
Tô com medo. Você pode me martelar (com martelinho de carne) se um dia eu endurecer e perder a ternura?
1 de agosto de 2015
Etérea
Não dá mais pra brincar com sentimentos
meus ossos estão velhos
Se não for pra ancorar
Que a maré leve, bem longe
porque meus ossos estão leves
Demais
Quase flutuam de livres
Amor não foi feito pra doer.
meus ossos estão velhos
Se não for pra ancorar
Que a maré leve, bem longe
porque meus ossos estão leves
Demais
Quase flutuam de livres
Amor não foi feito pra doer.
15 de maio de 2015
Você reafirma no amor o que faz quando ensina uma mágica e vê a carinha das crianças de satisfação após horas tentando. Porque não ensino truques, letras, números, ensino a insistir, a não ter medo, sobre paciência. Existe um elo entre nossas mãos que se ligam por fios invisíveis; eu abrindo caminhos na enxada pra eles plantarem as borboletas.
14 de março de 2015
das canções oníricas:
aí vc sonha com uma música e acorda desesperada procurando o gravador... mas te foi permitido guardar apenas o refrão.
7 de setembro de 2014
Ciranda
Eu preciso, de tempos em tempos, pegar na mão das pessoas.
Pode chamar de carência, que seja!
Estar junto é algo que me remete a pureza das rodas infantis.
- A infância sempre será um lugar pra se voltar a dois.
6 de setembro de 2014
Líquida
Não existe beleza na minha escrita.
Venho de um passado tímido
Com contornos acabrunhados.
“A letra que quase some em si mesma.”
O mundo gravou muitos ruídos no meu corpo
E eu engoli.
Mas aí, numa madrugada qualquer de setembro,
Eles resolveram sair em jorros
Pra molhar os lençóis brancos, bonitos, brilhantes
Da minha cama.
Molhar os lençóis aos vinte e oito anos com um jorro bestial podia ser motivo de vergonha.
Mas eu sinto que desfazer-me líquida é uma questão de recomeço:
- A letra que quase some em si mesma - não cabe mais no espaço burocrático de duas linhas.
Venho de um passado tímido
Com contornos acabrunhados.
“A letra que quase some em si mesma.”
O mundo gravou muitos ruídos no meu corpo
E eu engoli.
Mas aí, numa madrugada qualquer de setembro,
Eles resolveram sair em jorros
Pra molhar os lençóis brancos, bonitos, brilhantes
Da minha cama.
Molhar os lençóis aos vinte e oito anos com um jorro bestial podia ser motivo de vergonha.
Mas eu sinto que desfazer-me líquida é uma questão de recomeço:
- A letra que quase some em si mesma - não cabe mais no espaço burocrático de duas linhas.
Só zinha.
A madrugada é silêncio.
É dela minhas melhores ideias
E toda minha solidão.
Ela ridiculariza minha vida
Em cabides de exposição
(o rei está nu!).
Faz da rima
Um esconderijo
De versos livres
Que essa hora,
acordariam tudo.
Estragariam tudo.
O silêncio é lei.
Então eu rimo baixinho.
Eu sou escuridão.
A escuridão é madrugada.
A madrugada sou eu.
E onde está você
- pra segurar a minha mão?
É dela minhas melhores ideias
E toda minha solidão.
Ela ridiculariza minha vida
Em cabides de exposição
(o rei está nu!).
Faz da rima
Um esconderijo
De versos livres
Que essa hora,
acordariam tudo.
Estragariam tudo.
O silêncio é lei.
Então eu rimo baixinho.
Eu sou escuridão.
A escuridão é madrugada.
A madrugada sou eu.
E onde está você
- pra segurar a minha mão?
23 de agosto de 2014
Fêmea
Aí você quer escrever
(Ou precisa)
Porque fica assustada com tanta coisa explodindo no seu útero
Você não entende suas recaídas amorosas
As paixões platônicas por pessoas impossíveis
Das carências excessivas
Atrás da sua aparente independência feminina
Engole suas fragilidades
Porque odeia despedidas.
Você não entende mais nada.
É um labirinto sujo de palavras
Que ninguém percorre.
Por que oferece paredes?
O que sobra é o vazio inútil entre os corredores do mito
Sob um sol que não se perde
Sobre você que está perdida.
(Ou precisa)
Porque fica assustada com tanta coisa explodindo no seu útero
Você não entende suas recaídas amorosas
As paixões platônicas por pessoas impossíveis
Das carências excessivas
Atrás da sua aparente independência feminina
Engole suas fragilidades
Porque odeia despedidas.
Você não entende mais nada.
É um labirinto sujo de palavras
Que ninguém percorre.
Por que oferece paredes?
O que sobra é o vazio inútil entre os corredores do mito
Sob um sol que não se perde
Sobre você que está perdida.
19 de maio de 2014
13 de maio de 2014
8 de maio de 2014
30 de dezembro de 2013
29 de dezembro de 2013
Fugitivos
Meu Amor, te matar está sendo difícil!
Você não fica quieto!
Fica por aí inventando as pessoas
E isso está matando nós dois.
Pensa que não enxergam seus olhos esperançosos diante da podridão?
Há muito fomos descobertos...
Por isso, logo estarão aqui, com foices, machados e tochas
Para subjugar o que restou.
Preciso matar você
Porque não existe tempo.
Que a vizinhança já acordou.
Você não fica quieto!
Fica por aí inventando as pessoas
E isso está matando nós dois.
Pensa que não enxergam seus olhos esperançosos diante da podridão?
Há muito fomos descobertos...
Por isso, logo estarão aqui, com foices, machados e tochas
Para subjugar o que restou.
Preciso matar você
Porque não existe tempo.
Não se desespere,
ainda posso defender algumas sementes.
Então, para de arder escandalosamente essa pureza todaQue a vizinhança já acordou.
18 de dezembro de 2013
Sobre o medo de aniversários
Sobre ter 27 e não saber ter 28
É um abismo entre duas estações
É quando você se acostuma a ser número ímpar
Na vida.
Uma idade que contém o infinito é muito para caber na sua pequenez.
Esse eterno afrouxar dos moldes
É para gente pequena
- que sonha em ser eterna.
É um abismo entre duas estações
É quando você se acostuma a ser número ímpar
Na vida.
Uma idade que contém o infinito é muito para caber na sua pequenez.
Esse eterno afrouxar dos moldes
É para gente pequena
- que sonha em ser eterna.
3 de dezembro de 2013
23 de novembro de 2013
Poema de uma nota
Para Lenine
Esse poema é pra dizer
O que as palavras vão calar diante da sua poesia,
Porque não nasci passarinho
Digna de te acompanhar numa sinfonia a peito aberto.
Mas nasci pra escrever toda falta de jeito,
Inclusive a minha contigo,
E pra confessar nessas linhas cósmicas ou tinta e papel, apenas,
Que tenho um par de
particulares com suas partituras.
Que foi inevitável amar debaixo da claridade das suas
canções
Pois você cria mundos e eu os habito,
Trazendo em mim
Mais você do que você mesmo imagina!
Essa composição de uma nota só
Canta como eu te
sigo
encantada feito
criança atrás do circo.
Porque é inevitável
não te querer bem perto:
Você é gole d’água no deserto.
8 de novembro de 2013
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