E se de repente for assim:
imaginação não move uma agulha de onde
a razão colocar essa maldita agulha.
céu for apenas céu
lua cuspir São Jorge
poeira tornar-se pó
Sem drama, sem dor,
nenhuma poesia.
E se de repente for assim?
paraíso queimar em sol
astro virar satélite
poeira cobrindo tudo
sem comiseração.
E se de repente foi em vão?
suspiro apagar a luz
cinzenta rasgando chão
poeira assentar e fim.
E se de repente for, pra mim?
18 de agosto de 2009
6 de agosto de 2009
Senhora, nobre senhora.
Sou muito mulher do meu tempo.
Carrego o mistério da vida
e das guerreiras que me antecederam o poder de ter ou não essa vida.
Não preciso casar pra ser gente,
nem amarrar meus pés a corrente alguma que não seja do meu agrado.
Prefiro aprisionar-me aos livros,
subjugar-me aos meus.
Se costuro é para trançar destinos.
Se cozinho, feitiços num solitário ritual.
Nada pode me prender
que não amor.
Sem feminismo,
necessito libertar desejos,
pois arte está no que penso ou sinto com espaço;
e respeito é território duramente conquistado.
Ser anjo;
ser puta;
estar várias é milagre feminino.
De cabeça erguida, grito alto:
"sou quem quiser,
não o que querem,
por conceber das minhas entranhas
o próprio poder da escolha.
Humana, falível, imperfeita e deliciosamente dona de mim."
Sou nobre senhora do meu tempo.
Carrego o mistério da vida
e das guerreiras que me antecederam o poder de ter ou não essa vida.
Não preciso casar pra ser gente,
nem amarrar meus pés a corrente alguma que não seja do meu agrado.
Prefiro aprisionar-me aos livros,
subjugar-me aos meus.
Se costuro é para trançar destinos.
Se cozinho, feitiços num solitário ritual.
Nada pode me prender
que não amor.
Sem feminismo,
necessito libertar desejos,
pois arte está no que penso ou sinto com espaço;
e respeito é território duramente conquistado.
Ser anjo;
ser puta;
estar várias é milagre feminino.
De cabeça erguida, grito alto:
"sou quem quiser,
não o que querem,
por conceber das minhas entranhas
o próprio poder da escolha.
Humana, falível, imperfeita e deliciosamente dona de mim."
Sou nobre senhora do meu tempo.
26 de julho de 2009
imagem por: Arlene Graston Adoro mar, mas não sei nadar até hoje.
Quando pequena, meu pai me jogou na piscina por desejar meus genes idênticos aos dele - ótimo nadador desde sempre - não são.
Hoje, águas fascinam e dão tontura, numa espécie de atração com repulsa, assim como sinto coisas desconhecidas.
Pessoas também atraem e dão enjoo.
Matemática das coisas tristes.
Deixei recado no portão:
“Você anda ocupado demais
para pequenas delicadezas.”
Preciso derrubar sorvete na sua camisa e rir.
Saber histórias secretas
do mundo (que só existe) depois de você.
Impossível dividir monólogo
sem valsa.
Dois pra lá, dois pra cá...
- Dois.
“Você anda ocupado demais
para pequenas delicadezas.”
Preciso derrubar sorvete na sua camisa e rir.
Saber histórias secretas
do mundo (que só existe) depois de você.
Impossível dividir monólogo
sem valsa.
Dois pra lá, dois pra cá...
- Dois.
21 de julho de 2009
Além do céu.
Esse campo tem horizontes maiores,
não menos distantes,
mais bonitos talvez.
Sou canções para chegar lá.
Vou escorregando de mãos dadas com o sonho
de ser grande.
Passageira, do ventre aos pés,
mistério solitário
sob nuvens do universo.
Não quero menos que o mundo,
porque sou mundo também.
Por querer tudo, tudo sou eu.
Ciranda nos braços da roda
do amor.
Entre fardo e luz, criatura perdida,
que salta abismos para voltar
e volta.
não menos distantes,
mais bonitos talvez.
Sou canções para chegar lá.
Vou escorregando de mãos dadas com o sonho
de ser grande.
Passageira, do ventre aos pés,
mistério solitário
sob nuvens do universo.
Não quero menos que o mundo,
porque sou mundo também.
Por querer tudo, tudo sou eu.
Ciranda nos braços da roda
do amor.
Entre fardo e luz, criatura perdida,
que salta abismos para voltar
e volta.
9 de julho de 2009
Cartão vermelho.
Ouço pai e irmão
discutirem jogos pelos cantos,
sem argumento para acrescentar.
Vivencio a religião futebol
com o silêncio de um ateu.
discutirem jogos pelos cantos,
sem argumento para acrescentar.
Vivencio a religião futebol
com o silêncio de um ateu.
Passos frêmitos sobre roseiral.
Admiro os poetas que levam anos
para escrever seus versos.
Os meus são cuspidos às pressas,
porque tenho medo da morte
e fome de tempo.
Depois, ao reler,
aparo arestas
com firmeza de um ladrão de rosas
sob luz do lampião.
Se morrer,
perfeição será mero detalhe.
O importante é que senti e disse.
Minha poesia é a junção desses segundos.
para escrever seus versos.
Os meus são cuspidos às pressas,
porque tenho medo da morte
e fome de tempo.
Depois, ao reler,
aparo arestas
com firmeza de um ladrão de rosas
sob luz do lampião.
Se morrer,
perfeição será mero detalhe.
O importante é que senti e disse.
Minha poesia é a junção desses segundos.
Só
Não se engane:
a vida é estrada que se percorre sozinho.
Família, amigos, namorado, patrão.
A vida é estranha que se percorre sozinho.
Tente fechar os olhos e escapar
do terrível julgamento da mente.
Estrada que nos percorre sozinha: a vida.
E por nos atravessar, somos fortes.
E por atravessá-la, memória.
a vida é estrada que se percorre sozinho.
Família, amigos, namorado, patrão.
A vida é estranha que se percorre sozinho.
Tente fechar os olhos e escapar
do terrível julgamento da mente.
Estrada que nos percorre sozinha: a vida.
E por nos atravessar, somos fortes.
E por atravessá-la, memória.
8 de julho de 2009
Ensaio sobre a fatalidade e a escolha.
Vender versos nas portas
é tão digno quanto oferecer tapetes e lustrar panelas.
Alguma pessoas, avaliando o serviço,
ou por comiseração, podem comprar seus livretos.
Você conquistará leitores adormecidos,
despertará escritores.
Um, ou outro amigo importante. Por que não?
Poetas são ácidos, mas ótima companhia para o chá.
Com o tempo, o escritor caberá nos anseios dos leitores mais fiéis.
Sugerirão temas, você ouvirá com atenção demasiada.
Poemas sobre obviedades cotidianas.
Leves e confortáveis como uma tarde na calçada.
Sim, sim! Uma biografia digna.
"Senhor fulano de tal, profissão: poeta.
Sobreviveu de poesia."
- Milagre! - dirão os incrédulos.
- Poeta? - dirão os poetas.
- A que preço? - questionará você mesmo. (ou não)
Conservarei minha poesia virginal perante a prostituição do mundo. (ou não?)
é tão digno quanto oferecer tapetes e lustrar panelas.
Alguma pessoas, avaliando o serviço,
ou por comiseração, podem comprar seus livretos.
Você conquistará leitores adormecidos,
despertará escritores.
Um, ou outro amigo importante. Por que não?
Poetas são ácidos, mas ótima companhia para o chá.
Com o tempo, o escritor caberá nos anseios dos leitores mais fiéis.
Sugerirão temas, você ouvirá com atenção demasiada.
Poemas sobre obviedades cotidianas.
Leves e confortáveis como uma tarde na calçada.
Sim, sim! Uma biografia digna.
"Senhor fulano de tal, profissão: poeta.
Sobreviveu de poesia."
- Milagre! - dirão os incrédulos.
- Poeta? - dirão os poetas.
- A que preço? - questionará você mesmo. (ou não)
Conservarei minha poesia virginal perante a prostituição do mundo. (ou não?)
Azáfama
Minhas escolhas
são riscos demais pra colher.
Do meu tempo,
faço versos,
porque não sei ser outra forma
que não essa.
Se todos desistiram de compreender,
não sou clara
como gostaria.
Os poucos que restaram,
ou aceitaram,
ou são tão confusos como eu.
Não quero andar em círculos.
Tenho fé, honestidade e caráter
como herança.
Sem medo,
ou planos grandiosos:
eu vou.
Gostaria que muitos fossem comigo,
mas meu tempo tem mais pressa;
e não estou disposta a esperar.
são riscos demais pra colher.
Do meu tempo,
faço versos,
porque não sei ser outra forma
que não essa.
Se todos desistiram de compreender,
não sou clara
como gostaria.
Os poucos que restaram,
ou aceitaram,
ou são tão confusos como eu.
Não quero andar em círculos.
Tenho fé, honestidade e caráter
como herança.
Sem medo,
ou planos grandiosos:
eu vou.
Gostaria que muitos fossem comigo,
mas meu tempo tem mais pressa;
e não estou disposta a esperar.
3 de julho de 2009
Ao Rei.
Existem pessoas íntimas,
sem ser.
Fotos tão familiares,
quanto a de nossos pais.
Anjos sem sexo,
almas sem cor,
que abalam nossa hipocrisia.
Acredito em poetas-dançarinos,
poetas-cantores;
pessoas tão iluminadas
quanto incompreendidas,
porque sei da mágica,
sem entender o truque.
Peço perdão se
idolatrei a mídia cruel.
Hoje, guardo a lógica para realidade
e sonhos para sonhar, apenas.
Sem peso, sem dor.
Simples como A B C,
ou 1 2 3.
Eterno amor preso na atmosfera
depois que você se foi.
- O sol nascerá dançando suas canções.
sem ser.
Fotos tão familiares,
quanto a de nossos pais.
Anjos sem sexo,
almas sem cor,
que abalam nossa hipocrisia.
Acredito em poetas-dançarinos,
poetas-cantores;
pessoas tão iluminadas
quanto incompreendidas,
porque sei da mágica,
sem entender o truque.
Peço perdão se
idolatrei a mídia cruel.
Hoje, guardo a lógica para realidade
e sonhos para sonhar, apenas.
Sem peso, sem dor.
Simples como A B C,
ou 1 2 3.
Eterno amor preso na atmosfera
depois que você se foi.
- O sol nascerá dançando suas canções.
30 de junho de 2009
Asas de lagarta (ou pernas de borboleta?)
Como pode um objeto de amor
simplesmente não ser mais?
Quantos degraus andei
sem notar?
Em meio a canções antigas
fluindo dos seus lábios;
Entre revoltas tristes e pedidos de retorno;
E súplicas desesperadas de perdão,
segui firme em direção ao sol.
De mim, imagem parada,
estática e desamante,
surgiu a liberdade.
Seus olhos,
simplesmente não ser mais?
Quantos degraus andei
sem notar?
Em meio a canções antigas
fluindo dos seus lábios;
Entre revoltas tristes e pedidos de retorno;
E súplicas desesperadas de perdão,
segui firme em direção ao sol.
De mim, imagem parada,
estática e desamante,
surgiu a liberdade.
Seus olhos,
curiosos dos caminhos secretos,
das minhas pernas cúmplices do tempo,
apertavam meu pescoço em busca da confissão.
- Não contei.
das minhas pernas cúmplices do tempo,
apertavam meu pescoço em busca da confissão.
- Não contei.
O coração inteiro-vivo-forte nas mãos, mas não contei.
Porque esse segredo é só meu.
26 de junho de 2009
Da mania de sonhar acordada.
Ao deitar nos lençóis
o sono desce ao meu corpo
e sobe aos céus, sem sonhos.
Que o leitor não se espante,
não é tristeza.
Sonho tanto acordada,
que gasto minha cota
antes do anoitecer.
o sono desce ao meu corpo
e sobe aos céus, sem sonhos.
Que o leitor não se espante,
não é tristeza.
Sonho tanto acordada,
que gasto minha cota
antes do anoitecer.
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