29 de dezembro de 2008

Desejar quando chega no fim
e no início é fácil.
Queremos carros, casas,
um cabelo de outra cor.
Cremes,
e roupas lindas.
Precisamos urgentemente ser amados,
fazer regime.
- Novos amigos, novo emprego, nova família.

Os desejos vão crescendo mais que nós mesmos:
monstros familiares...
Esperam de manhã nos armários,
dentro das caixas,
espalhados pela rua.
Estão por perto, tomam tempo e cuidado.
Enquanto desejamos desenfreadamente, nossos filhos crescem.
Nossos pais envelhecem,
tão perto...
- Tão perto.
O mundo escapa das nossas mãos
e estava tão perto...


Eu não quero nada hoje.
Não quero nada fora de mim:
desejo pra dentro.
Ser mais bonita, por dentro.
Curar minhas dores,
meus medos, aqui dentro de mim.
E depois, quando querer pra fora,
quero para os outros.
O bem.
A paz.
O amor.
Só isso.
É uma questão de direcionar os desejos
para caminhos mais verdes.
E bonitos.

25 de dezembro de 2008

Oração II

À mãe, por curar dores sentimentais.
Ao pai, por construir um lar e me incluir nele
todos os dias do ano.
Ao irmão, por dividir, amando nas entrelinhas.


- Deus, abrace meu coração:
ele dorme do lado de fora.

14 de dezembro de 2008

Oração.

Essa noite vou desenhar
um círculo de giz
no chão do meu quarto
e dormir do lado de dentro.
É só a maneira tímida
que encontrei de rezar.

10 de dezembro de 2008

Como dizia minha vó:

" O TEMPO passa que a gente
nem se apercebe..."

3 de dezembro de 2008

pra variar, CHOVEU.


e meus 'pequeninos' do maternal
acreditam que meu guarda-chuva
me dá o poder de voar.

30 de novembro de 2008

- Godofredo?
- Sim...
- Blogs também servem para dizer que queremos um namorado?
- Não.
- Por quê?
- Ahm, porque soa desesperado. Coisa de menina carente e talz.
- Ah... Godofredo?
- Sim.
-(...) Ele vai vir?


Ele cerrou a sobracelha e não respondeu.
Encontrei um bilhete na cama, no outro dia:

"- Ele vem."

Contando planetas

Meu muro quase tampa todo o céu
Mas tem uma fresta
que fica no eixo exato da janela
quando aberta.
E que fica também
no rumo exato
daquela estrela
que me disseram que é planeta.
- Eu acho que é estrela.
Essa noite fiz três pedidos pra ela.
Então, na fresta do muro,
no rumo da janela,
naquele curto espaço de quarto
e infinito espaço de céu,
vão acontecer meus pequenos milagres:

que a fresta não desapareça;
o rumo não desvie;
e a estrela/planeta me inspire aonde eu for.

29 de novembro de 2008

Da necessidade de escrever

Faz versos, pequena!
Fala dos sentimentos etéreos
Que esperam do outro lado da janela
Para serem uma única vez.

Tira delicadamente as palavras dos cabelos.
Essas coisas que querem dizer
E não dizem.

Os portais do tempo são seus.

Conhece tão bem
A tragédia e o milagre
De possuir a tradução dos sentimentos humanos.
Isso despertará pena
E ciúmes.

Sua missão lhe empurrará de precipícios
Para ensinar a pairar debaixo do céu
E em cima do fim.

28 de novembro de 2008

Eu vou estar.

Você vai passar.
Eu sei.
Outros planos,
uma vida diferente.
Sei que vai querer seu espaço.
Formar família,
criar filhos.
Recitais
e formaturas.
Sei que vou estar numa lembrança.

Pensamento distante em dia de chuva.

Vou caber no segundo
em que abrir aquele caderno.
Encontrar aquele bilhete.
Vou ficar ali, num compartimento distraído da gaveta
até você achar.

Vou deitar meus braços na foto antiga
que ficou dentro da décima primeira página
do livro que você mais gosta; mas não leu.

Vou adormecer lá.

Naquele versinho de letra difícil
Na música de letra fácil.
Pátio da escola.
Árvore velha.
Casa 13, rua Perdida
do mapa que não existe mais.

22 de novembro de 2008

I miss you love.

Nessa época a solidão se emancipa,
desfigura e segue identidade própria
puxando a seqüência dos meus passos.
As luzes das lojas
das vitrines, viadutos
não iluminam nada.
Confundem o caminho
com sombras que não são seus olhos.
Tem meu amor.
Tem seus olhos.
Permaneço aquecida enquanto a lembrança está comigo.

Nessa época fica mais difícil sair do quarto.
Fica perigoso as multidões misturadas com as luzes todas.
Não consigo ver.
Do outro lado está nosso quintal
Vazio.
Está nosso jardim
E as pragas do jardim
E os monstros do jardim
Do outro lado...
eu sinto falta de você.
Sinto muita falta de você.
Sei que tenho que fingir
que o poema não é sobre isso,
mas sinto muita falta
dentro de mim.

E nessa época,
principalmente nessa época, me lembro.

19 de novembro de 2008

Acho que perdi a mão.
Igual quando a receita queima,
ou fica salgada.

Estou numa fase: ‘não escrever a qualquer custo
para não perceber o que estou sentindo.’




Perdeu-se.

18 de outubro de 2008

Têm estranhos que trago comigo.
Não deixo que me escolham...
Sei bem quem eu quero.
Construo fortes
E castelos
Traço enigmas em papéis invisíveis
que não sei responder.
Meu ciúme só não é maior que meu amor.
Tenho atos de devoção
com indiferenças profundas.
Tenho distâncias insuperáveis
com uma proximidade amorosa.


E estou sempre só.
Antes que me esqueça desse detalhe importante.

20 de setembro de 2008

Marcelo Camelo é fim de tarde olhando pro mar.
É visitar Rio de Janeiro sem ir.
É língua Portuguesa sem gramática,
mas também lição de casa.
Tímido passarinho que senta na mão da gente.
E a gente fecha o olho pra guardar na memória
de tanto que o coração dispara.
E a gente pensa, quando ouve ele, que não vai sarar.
Mas ele canta assim bem azul,
com mãos estendidas na canção.
Aí dói menos,
até sarar.

30 de agosto de 2008

Quantas teclas caberão nesse sentimento meu
de solidão?
Se eu digitar s-o-l-i-d-~-a-o
em folhas e folhas
ela diminui ou aumenta?
Se rabiscar seu olhos
no teto
acordarei mais feliz?
Já não bastam fotografias
Nem cartas
Nem mesmo e-mails
Ou o dia inteiro juntos
Minha solidão tem fome
maior que o próprio sol.
Seu amor é maior que o próprio sol.
O problema são as nuvens que,
vez em quando,
cobrem esses castelos de areia
e atrasam meus navios.



- Queria (muito) que você estivesse aqui
.
A chuva caia do céu cinza. Inevitável não querer falar da chuva com ele, mesmo que isso fosse uma desculpa para ficar perto.




E era.

19 de agosto de 2008

Tem dias tristes, bem vagarosos de levantar, quando as vezes acordo faltando 5 minutos para o outro dia. Sempre atrasada.

Tem dias bons. Dançar na rua não parece tão avesso do avesso. Mp3 não tem a magia do vinil, mas é portátil.

Tem dias amorosos de doer! Pombos e cachorros dançam sincronizado num musical hollywoodiano.

Tem dias sozinhos. Telefones são muito modernos, bases alienígenas! Deitada, vegetando(ando), enquanto a vida vai dar uma volta.

Tem, no meio, tanta criança que parece orfanato, mas também parece céu. Tem piolhos e cócegas insuportáveis.

Porque o mundo é feio e bonito.

E sou alguma coisa assim: entre Deusa e pó.


É difícil para alguém de cinco anos entender como um bicho pode ser dois. Cavalos são associados à terra, associados à branco e estão presentes em todos os contos-de-fada implicitamente. Acho que meu cavalo branco é igual a esse: laranja e vive na água. Por isso meu príncipe deve ter se afogado. - Tadinho.


As crianças da escola acreditam em sereias. Eu não acreditava mais, mas elas falam com uma convicção nos olhos e firmeza na voz que fica praticamente impossível discordar. Quem ousaria?

13 de julho de 2008

Quebrar ciclos
É como pisar em nuvens.
Posso cair a qualquer momento.

Preciso tentar.

Quebrar ciclos não parece bom.
Mas deve ser bom, mesmo que doa tanto.

Essas pequenas mudanças
Essas antigas manias
Essas amizades não tão necessárias assim
Sapatos apertados demais.

Esses objetos repetidos.
O caco do vaso cortando minhas mãos.

Eu vejo a lua lá fora
quebrando ciclos de tempos em tempos.
Se fecha no quarto
- Eclipse.
A lua deve ter muitas dúvidas antes de despertar.
Deve continuar com elas antes de dormir.

Viver é mesmo muito delicado.

(até mesmo para satélites)

8 de julho de 2008

Vidros novos para janela azul.

O papel me olha.
Vou abrindo caminhos
Por entre nuvens
Das brancas linhas invisíveis...
Rabisco aqui
Nesses espaços vazios
Essa necessidade de estar completa
Essa viagem por submundos escuros
Que me trincaram os vidros da janela.
Registro meu retorno à luz.
Caverna e céu brigaram por espaço:
- Enfim sol.
Registro essa manhã de sol.
Esse meu excesso de novidades
Percorrendo exatamente os mesmos passos.
Ontem vi um pássaro na árvore.
Mãe adormecida no sofá.
Uma criança com nome de flor.

Eles estavam me esperando.