4 de agosto de 2009

Quando não se tem mais nada a dizer
é realmente algo preocupante.

26 de julho de 2009

imagem por: Arlene Graston

Adoro mar, mas não sei nadar até hoje.
Quando pequena, meu pai me jogou na piscina por desejar meus genes idênticos aos dele - ótimo nadador desde sempre - não são.
Hoje, águas fascinam e dão tontura, numa espécie de atração com repulsa, assim como sinto coisas desconhecidas.
Pessoas também atraem e dão enjoo.
Preciso estar "dois"
- com quem veja desenhos nas nuvens.

Matemática das coisas tristes.

Deixei recado no portão:
“Você anda ocupado demais
para pequenas delicadezas.”
Preciso derrubar sorvete na sua camisa e rir.
Saber histórias secretas
do mundo (que só existe) depois de você.
Impossível dividir monólogo
sem valsa.

Dois pra lá, dois pra cá...
- Dois.

21 de julho de 2009

Além do céu.

Esse campo tem horizontes maiores,
não menos distantes,
mais bonitos talvez.
Sou canções para chegar lá.
Vou escorregando de mãos dadas com o sonho
de ser grande.
Passageira, do ventre aos pés,
mistério solitário
sob nuvens do universo.
Não quero menos que o mundo,
porque sou mundo também.
Por querer tudo, tudo sou eu.
Ciranda nos braços da roda
do amor.
Entre fardo e luz, criatura perdida,
que salta abismos para voltar


e volta.

Devagar, posso tocar as coisas
e ser tocada,
silenciosamente.

9 de julho de 2009

Cartão vermelho.

Ouço pai e irmão
discutirem jogos pelos cantos,
sem argumento para acrescentar.
Vivencio a religião futebol
com o silêncio de um ateu.

Passos frêmitos sobre roseiral.

Admiro os poetas que levam anos
para escrever seus versos.
Os meus são cuspidos às pressas,
porque tenho medo da morte
e fome de tempo.

Depois, ao reler,
aparo arestas
com firmeza de um ladrão de rosas
sob luz do lampião.

Se morrer,
perfeição será mero detalhe.

O importante é que senti e disse.
Minha poesia é a junção desses segundos.

Não se engane:
a vida é estrada que se percorre sozinho.

Família, amigos, namorado, patrão.

A vida é estranha que se percorre sozinho.

Tente fechar os olhos e escapar
do terrível julgamento da mente.

Estrada que nos percorre sozinha: a vida.

E por nos atravessar, somos fortes.
E por atravessá-la, memória.

8 de julho de 2009

Ensaio sobre a fatalidade e a escolha.

Vender versos nas portas
é tão digno quanto oferecer tapetes e lustrar panelas.
Alguma pessoas, avaliando o serviço,
ou por comiseração, podem comprar seus livretos.
Você conquistará leitores adormecidos,
despertará escritores.
Um, ou outro amigo importante. Por que não?
Poetas são ácidos, mas ótima companhia para o chá.
Com o tempo, o escritor caberá nos anseios dos leitores mais fiéis.
Sugerirão temas, você ouvirá com atenção demasiada.
Poemas sobre obviedades cotidianas.
Leves e confortáveis como uma tarde na calçada.
Sim, sim! Uma biografia digna.

"Senhor fulano de tal, profissão: poeta.
Sobreviveu de poesia."

- Milagre! - dirão os incrédulos.
- Poeta? - dirão os poetas.
- A que preço? - questionará você mesmo. (ou não)


Conservarei minha poesia virginal perante a prostituição do mundo. (ou não?)

Azáfama

Minhas escolhas
são riscos demais pra colher.

Do meu tempo,
faço versos,
porque não sei ser outra forma
que não essa.

Se todos desistiram de compreender,
não sou clara
como gostaria.

Os poucos que restaram,
ou aceitaram,
ou são tão confusos como eu.

Não quero andar em círculos.

Tenho fé, honestidade e caráter
como herança.

Sem medo,
ou planos grandiosos:
eu vou.

Gostaria que muitos fossem comigo,
mas meu tempo tem mais pressa;
e não estou disposta a esperar.

3 de julho de 2009

Ao Rei.

Existem pessoas íntimas,
sem ser.
Fotos tão familiares,
quanto a de nossos pais.
Anjos sem sexo,
almas sem cor,
que abalam nossa hipocrisia.

Acredito em poetas-dançarinos,
poetas-cantores;
pessoas tão iluminadas
quanto incompreendidas,

porque sei da mágica,
sem entender o truque.

Peço perdão se
idolatrei a mídia cruel.

Hoje, guardo a lógica para realidade

e sonhos para sonhar, apenas.
Sem peso, sem dor.
Simples como A B C,
ou 1 2 3.
Eterno amor preso na atmosfera
depois que você se foi.


- O sol nascerá dançando suas canções.

30 de junho de 2009

Asas de lagarta (ou pernas de borboleta?)

Como pode um objeto de amor
simplesmente não ser mais?
Quantos degraus andei
sem notar?

Em meio a canções antigas
fluindo dos seus lábios;
Entre revoltas tristes e pedidos de retorno;
E súplicas desesperadas de perdão,
segui firme em direção ao sol.

De mim, imagem parada,
estática e desamante,
surgiu a liberdade.

Seus olhos,
curiosos dos caminhos secretos,
das minhas pernas cúmplices do tempo,
apertavam meu pescoço em busca da confissão.
- Não contei.

O coração inteiro-vivo-forte nas mãos, mas não contei.
Porque esse segredo é só meu.

26 de junho de 2009

Da mania de sonhar acordada.

Ao deitar nos lençóis
o sono desce ao meu corpo
e sobe aos céus, sem sonhos.
Que o leitor não se espante,
não é tristeza.
Sonho tanto acordada,
que gasto minha cota
antes do anoitecer.

21 de junho de 2009

Tenho tantos heterônimos, mas ele não se encaixa com nenhum.
(se tivesse 5 anos a discussão terminaria com a união dos dedos mindinhos.)

- Devo ter perdido meu Alberto Caeiro nos parques da infância.

Asma.

Quero estar junto.
Não além dos mundos obscuros
que são meus.
Quero estar, indiscutivelmente, distante.
Enquanto a linha entre dor e retorno
estiver desenhada nos meus braços.
Se você entendesse...
Se você entendesse essa coisa...
saberia minha vida abraçada na sua.
Há necessidade de espaço
para minha claustrofobia amorosa.

Não é morte.

São asas.

15 de junho de 2009

Dilema da Flor

Então foi assim: ela brilhava, não porque era melhor que as outras flores; por estar feliz consigo mesma: uma conquista da vida inteira.
O jardim pôs-se a paparicá-la com mimos, porém, alguns se incomodaram da presença dela.

Nossa delicada protagonista sentiu-se culpada, pois não queria jardim repartido.
Ninguém sabia sua história de patinho feio até o florescer dos galhos, como podiam julgá-la de maria-exibida? Melhor ficar debaixo da terra para não desequilibrar as leis da botânica? Ou deveria perder algumas pétalas, passando por erva-daninha?
Enquanto pensava no assunto, brotinhos deitavam ao pé da roseira para ouvir suas canções de ninar.

12 de junho de 2009

Dia dos namorados é meu preferido. Gosto do cheiro das rosas, das pessoas com olhares distantes e carinhosos. Também gosto de saber que o amor existe, se renova e permanece.

10 de junho de 2009

O salto

Encontrei parentes antigos como a minha história; perdidos no tempo.
Estavam lá, independente da nossa distância.
Cabelos brancos, rugas desenhadas pelo vento: pois sim, o mundo continuou girando sem mim, e continuará! Que egoísmo não perceber o óbvio movimento das marés.
Gestos inesperados contrariaram previsões. Será que cresceram? Será que mudei?
Foi estranho pisar no conhecido sem julgar, ou lembrar daquelas velhas mágoas que não me pertencem mais.
Cultivar bondade em terreno difícil, preenchendo espaços, é uma forma de sublimação.

- Foi abrir os braços, fechar os olhos e pular.
A Thami com que a Pri sonha
está no sonho
ou na fronha?

não sei...

- menina risonha nunca me deixe acordar.