16 de maio de 2009



Retirada do site: http://depositodocalvin.blogspot.com/

(clique na tirinha para aumentar!)

- Coluna do leitor

Lembram do Godofredo (meu amigo imaginário)? Ele foi importantíssimo nos últimos anos de faculdade, nos meus primeiros passos como 'adulta responsável'... Quem lê o blog desde o começo ( mãe, tia, vó!!!) sabe do trabalhão que dou a ele. Afff!
Breve meu A.I. aparece para mais aventuras: sentimentais, ou não.
Para as novas pessoas que passaram por aqui, obrigada! Leio os comentários e fico lisonjeada, apesar de meio sem-graça - confesso! Dá um pouco de vergonha!
Pretendo voltar com dicas musicais também: estou - meiototalmente - relapsa.
Bom é isso, um abraço!

Até :)

Areia do sono.

Quando a casa dorme
escuto o vento
conversando com o espaço.
Os passos do homem solitário
afundando na calçada.
Ou o guardinha que passa...
Apitando.

Longe, lá na pracinha, tem coruja.
Minha vó dizia que coruja é ruim,
porque traz morte.
Eu escuto ela todo dia,
mas nunca morri.

A rua anda ao contrário de noite.
Casas deitam-se umas nas outras
e bocejam.
Muros curvam-se silenciosamente.
Ouço códigos secretos do mundo inteiro,
porque sinto o chão respirar.

Luzes dos postes piscam sonolentas
para minha janela,
cerrando o som da rua.

- Então,
eu durmo.

14 de maio de 2009


Minha mãe ensinou que só devo colocar o amaciante quando a máquina estiver na letra ‘x’ do enxaguar; Cataflan é um remédio milagroso, curando desde doenças gravíssimas até dor no dedinho do pé; não adianta limpar a cozinha sem passar pano na casa toda: suja em menos de dois dias.
Discorreu diversas vezes sobre minha falta de memória em avisar onde estou. E sobre a necessidade da oração ao sair de casa. - Sempre esqueço.
Tem os melhores produtos de beleza, as melhores maneiras de amarrar um cachecol.
Suas fotos, em todas as épocas possíveis e imagináveis, são mais bonitas: mais delicada, mais expressiva. -Sorriso que terminou diversas guerras e começou outras tantas.
E mesmo com TUDO isso, diz ser minha fã! Que adora meu cheiro, minhas coisinhas tão bobas...

Essa história de maternidade não é a coisa mais bonita que você já viu?

12 de maio de 2009

Sobre Heráclito e o rio.

Cresci numa eterna repetição: morei sempre no mesmo lugar, estudei na mesma escola.
Achava minha vida um tédio por esses motivos, mas fui convencida que o novo era algo perigoso, devendo ser repelido a qualquer custo.
Hoje, tudo virou do avesso e percebo que todo esse tempo ‘resguardada’ não facilitou meus dias. É impossível saber as regras, por mais que eu queira, por mais que me desespere procurando a lógica dos fatos.
Estudei na mesma escola, mas fui perdendo amigos pelo caminho. Morei na mesma casa, mas nem sei mais os nomes dos meus vizinhos! Pessoas que estavam sempre perto, não existem mais. Lugares onde brincava, a árvore que mais gostava... pra onde foi todo mundo? Até mesmo a Língua Portuguesa mudou.


- Tenho pesadelos com essa realidade arredia, que não cabe mais em minhas mãos, ou sou eu que não me reconheço mais?

Sobre os desejos.

Um marido de poucos amigos.
Um filho homem.
E uma casa sem telefone.

9 de maio de 2009

Arquitetura da solidão.

Vivi buscando amizades para ter carinho, proteção, amor. Não correspondida, tentei impor ‘filosofias bem intencionadas'. Como o Pequeno Príncipe ensina o aviador, ou a mãe empurra o filho em passos atrapalhados.
O fato é que pessoas não mudam porque nós queremos; mudam porque querem e quando querem muito.
Cansei de cobrar dos outros meu amor próprio. Mas sinto-me, cada dia mais, uma muralha de auto-preservação.

8 de maio de 2009

O eterno sono.

Serei eu a Bela Adormecida moderna? Que não luta pelos objetivos, vê a vida passar e espera grandes paixões baterem na porta?
- Estou acomodada demais: adormecida.
A opção 'dormir 100 anos', contrária a morte instantânea, não parece das melhores opções. Dormir não é uma espécie de morte? E acordar somente com um príncipe não é delegar a terceiros a própria felicidade?

22 de abril de 2009

Limpando meu armario descobri várias de mim que não reconheço mais. Coloquei-as numa sacola e deixei longe dos olhos. {...} Lógico que voltei depois e repassei uma por uma: é incrível como coisas materiais podem contar trechos da vida!

Conversei com vestidos que embalaram paixonites agudas; calças que prometeram mudanças radicais; alguns sapatos que me levaram a locais distantes ou dançaram minhas músicas preferidas: tão agarrados, tão juntos!

Mas agora, olhando para esses pedaços vivos espalhados sobre a cama, percebo como essas fases precisam ir. Não me cabem mais essas meninas, mulheres e senhoras. Estou morando em outras casas, mais espaçosas (não menos complicadas), com um ar 23 anos, sabe?



Quando o passado está apenas por dentro, me desespera menos ver o tempo correr de mim.

19 de abril de 2009

Ao J.P.C.

Procurei por muito tempo
demonstrações rasgadas de amor:
sem vagas.
E o mais incrível, o mais bonito,
é que me encontraram antes que me virasse.
E recebi um abraço vindo não sei bem de onde,
nem sei bem por quem,
mas tão bonito que me arrebatou.
Já posso dizer da busca não buscada,
do desejo tão forte de encontrar o amor
que abre todas as vagas no topo do mundo!
Obrigada Jardim pelas flores primaveris
colhidas em pleno outono!
Essa transposição de estações
é meu presente...
meu pequeno GRANDE milagre.

26 de março de 2009

Guardo meu susto para pequenas coisas, singelas e belas e simples. E só.

22 de março de 2009

Poderia ficar horas pensando em como seria a foto depois que ele caísse. Também poderia ficar horas pensando que ele voa mesmo e não vai cair nunca mais.

Canção para dar certo.

O outono é cheio de desejos.
Amizades novas são cheias de esperança.
Eu sou cheia de desejos e esperança.


Novos dias, não demorem.
Novos rostos, não se afastem.
Espero com muitas de mim
deitada na escada do tempo.


Quero dias melhores, porque
tristes já sei de cor.
E amigos melhores, porque
ruins já sei demais.


Mas o outono é só desejo.
Os ponteiros se encarregam das respostas.

7 de março de 2009

Não me procure onde estou,
Não me queira nas multidões.
Meus versos não cabem no mundo.
O fardo das palavras,
mesmo as não escritas,
me pesa.
Já gostei de estar junto.
Mas o tempo passou
Desaprendi.

12 de fevereiro de 2009

Minha juventude guarda
toda a incerteza do mundo.

9 de fevereiro de 2009

A viagem.

Não quero ser porta-estandarte de inteligência,
nem preciso ser mulher-maravilha das minhas passadas.
Acontece que quando atravessei certo ponto da estrada
e conversei com pessoas mais velhas,
surgiu um cisco do sentido da vida.
Acontece que ao ler Clarice e Drummond,
ouvir Cartola e conhecer um pouco dos versos do Caetano,
modifiquei antigas estruturas.
Quando entendi um pouco de Machado e imaginei
o mundo de Tolkien;
Conheci astrologia, filosofia, a arte diplomática de Gandhi;
Quando amei feito Madre Teresa, ou pelos menos vislumbrei amar;
Aprendi História das civilizações e das religiões
E da nações;
Quando reli livros e finalmente os tive por inteiro nas mãos,
sabendo preenchê-los de sentido com experiências da vida;
E senti a dor dos poetas e encarnei as personas do Pessoa;
Orientei-me pelos mitos antigos sabendo que eles
não abalam as estruturas científicas (sabendo dosar os dois);
Acontece que quando o conhecimento, por menor que seja,
atravessou meus ossos de forma irreversível,
fui deslocada para novas possibilidades.

Como um viajante que volta dos mares,
como um pastor que desce as montanhas:
a ALMA nunca mais é a mesma.

6 de fevereiro de 2009

Fé.

Saibam dos dias melhores.
Onde plantei esperanças
crianças
e meu amor.
Saibam em mim
um poço sereno
em meio ao turbilhão.

Durmo escadas
para despertar estrelas.

2 de fevereiro de 2009

{ }

Baladas demais.
Bebidas demais.
Barulho demais.

Sou silêncio, compreende?

Não mais feliz, ou melhor.
Apenas silêncio.