Ainda dói hoje.
Vai doer menos amanhã.
Vai doer bem menos depois de amanhã.
E depois e depois e depois
- é manhã.
17 de janeiro de 2009
10 de janeiro de 2009
8 de janeiro de 2009
Procura-se um amigo.
Busco um amigo para segurar mãos na tempestade, sabendo meu incontrolável medo dos trovões. E abraçar com o corpo inteiro, porque cansei de ruínas.
Perdoe o excesso de proteção: cuidar é meu verbo preferido.
Perdoe o excesso de proteção: cuidar é meu verbo preferido.
6 de janeiro de 2009
Fim.
O que mais me dói nele
É a falta de dor.
É o sorriso tranquilo
De quem nada sofreu.
O que mais me dói
É ver o relógio quebrado
E o calendário sem azul.
Vai passar, eu sei,
mas vou entristecer um pouco.
Não tenho medo de sofrer o que preciso
para depois subir meus olhos
E seguir.
Vou chorar
até alcançar os espaços que restaram
Que restam?
Já nem sei mais.
Vai ser difícil me reinventar sem você
graças a essa súbita falta de criatividade.
Vou me deitar agora:
Os pés, as pernas juntas.
Os braços sem desejos.
Você vai ler meu coração antes de mim.
No muro
da parede do quarto
Subitamente fechado,
Nem vivo, nem morto:
Eterno exílio entre dois mundos.
É a falta de dor.
É o sorriso tranquilo
De quem nada sofreu.
O que mais me dói
É ver o relógio quebrado
E o calendário sem azul.
Vai passar, eu sei,
mas vou entristecer um pouco.
Não tenho medo de sofrer o que preciso
para depois subir meus olhos
E seguir.
Vou chorar
até alcançar os espaços que restaram
Que restam?
Já nem sei mais.
Vai ser difícil me reinventar sem você
graças a essa súbita falta de criatividade.
Vou me deitar agora:
Os pés, as pernas juntas.
Os braços sem desejos.
Você vai ler meu coração antes de mim.
No muro
da parede do quarto
Subitamente fechado,
Nem vivo, nem morto:
Eterno exílio entre dois mundos.
3 de janeiro de 2009
Conclusões:
1. Sem ajudarmos uns aos outros andaremos em círculos infinitamente.
2. Declarar o amor por alguém é como respirar. Você precisa expor sentimentos para que eles não encham seus pulmões e te tornem pesado demais.
3. A beleza de uma pessoa não está nos olhos. É alguma coisa que emana deles. É a capacidade de entrar na sua alma e arrancar ervas daninhas com delicadeza.
4. Você vai se apaixonar. Vai querer perto, bem perto. Vai se horrorizar com tamanhos defeitos. Vai perdoar milhões de vezes e quando perder a conta, vai entender parte do mistério.
5. Pai e mãe são responsabilidade nossa, assim como fomos deles um dia. Pai e mãe são frágeis, tem medo do escuro e precisam de histórias para dormir.
6. Você pode ajudar o mundo de muitas maneiras. Todos têm dom para alguma coisa, desde criança sabemos; mas disseram que ‘não dá dinheiro’.
7. Sua marca é aquilo que faz as pessoas sorrirem ao pensar em você, numa hora improvável. São pontos de luz para ajudar na travessia do caminho.
29 de dezembro de 2008
Desejar quando chega no fim
e no início é fácil.
Queremos carros, casas,
um cabelo de outra cor.
Cremes,
e roupas lindas.
Precisamos urgentemente ser amados,
fazer regime.
- Novos amigos, novo emprego, nova família.
Os desejos vão crescendo mais que nós mesmos:
monstros familiares...
Esperam de manhã nos armários,
dentro das caixas,
espalhados pela rua.
Estão por perto, tomam tempo e cuidado.
Enquanto desejamos desenfreadamente, nossos filhos crescem.
Nossos pais envelhecem,
tão perto...
- Tão perto.
O mundo escapa das nossas mãos
e estava tão perto...
Eu não quero nada hoje.
Não quero nada fora de mim:
desejo pra dentro.
Ser mais bonita, por dentro.
Curar minhas dores,
meus medos, aqui dentro de mim.
E depois, quando querer pra fora,
quero para os outros.
O bem.
A paz.
O amor.
Só isso.
É uma questão de direcionar os desejos
para caminhos mais verdes.
E bonitos.
e no início é fácil.
Queremos carros, casas,
um cabelo de outra cor.
Cremes,
e roupas lindas.
Precisamos urgentemente ser amados,
fazer regime.
- Novos amigos, novo emprego, nova família.
Os desejos vão crescendo mais que nós mesmos:
monstros familiares...
Esperam de manhã nos armários,
dentro das caixas,
espalhados pela rua.
Estão por perto, tomam tempo e cuidado.
Enquanto desejamos desenfreadamente, nossos filhos crescem.
Nossos pais envelhecem,
tão perto...
- Tão perto.
O mundo escapa das nossas mãos
e estava tão perto...
Eu não quero nada hoje.
Não quero nada fora de mim:
desejo pra dentro.
Ser mais bonita, por dentro.
Curar minhas dores,
meus medos, aqui dentro de mim.
E depois, quando querer pra fora,
quero para os outros.
O bem.
A paz.
O amor.
Só isso.
É uma questão de direcionar os desejos
para caminhos mais verdes.
E bonitos.
25 de dezembro de 2008
Oração II
À mãe, por curar dores sentimentais.
Ao pai, por construir um lar e me incluir nele
todos os dias do ano.
Ao irmão, por dividir, amando nas entrelinhas.
- Deus, abrace meu coração:
ele dorme do lado de fora.
Ao pai, por construir um lar e me incluir nele
todos os dias do ano.
Ao irmão, por dividir, amando nas entrelinhas.
- Deus, abrace meu coração:
ele dorme do lado de fora.
14 de dezembro de 2008
Oração.
Essa noite vou desenhar
um círculo de giz
no chão do meu quarto
e dormir do lado de dentro.
É só a maneira tímida
que encontrei de rezar.
um círculo de giz
no chão do meu quarto
e dormir do lado de dentro.
É só a maneira tímida
que encontrei de rezar.
3 de dezembro de 2008
30 de novembro de 2008
Contando planetas
Meu muro quase tampa todo o céu
Mas tem uma fresta
que fica no eixo exato da janela
quando aberta.
E que fica também
no rumo exato
daquela estrela
que me disseram que é planeta.
- Eu acho que é estrela.
Essa noite fiz três pedidos pra ela.
Então, na fresta do muro,
no rumo da janela,
naquele curto espaço de quarto
e infinito espaço de céu,
vão acontecer meus pequenos milagres:
que a fresta não desapareça;
o rumo não desvie;
e a estrela/planeta me inspire aonde eu for.
Mas tem uma fresta
que fica no eixo exato da janela
quando aberta.
E que fica também
no rumo exato
daquela estrela
que me disseram que é planeta.
- Eu acho que é estrela.
Essa noite fiz três pedidos pra ela.
Então, na fresta do muro,
no rumo da janela,
naquele curto espaço de quarto
e infinito espaço de céu,
vão acontecer meus pequenos milagres:
que a fresta não desapareça;
o rumo não desvie;
e a estrela/planeta me inspire aonde eu for.
29 de novembro de 2008
Da necessidade de escrever
Faz versos, pequena!
Fala dos sentimentos etéreos
Que esperam do outro lado da janela
Para serem uma única vez.
Tira delicadamente as palavras dos cabelos.
Essas coisas que querem dizer
E não dizem.
Os portais do tempo são seus.
Conhece tão bem
A tragédia e o milagre
De possuir a tradução dos sentimentos humanos.
Isso despertará pena
E ciúmes.
Sua missão lhe empurrará de precipícios
Para ensinar a pairar debaixo do céu
E em cima do fim.
Fala dos sentimentos etéreos
Que esperam do outro lado da janela
Para serem uma única vez.
Tira delicadamente as palavras dos cabelos.
Essas coisas que querem dizer
E não dizem.
Os portais do tempo são seus.
Conhece tão bem
A tragédia e o milagre
De possuir a tradução dos sentimentos humanos.
Isso despertará pena
E ciúmes.
Sua missão lhe empurrará de precipícios
Para ensinar a pairar debaixo do céu
E em cima do fim.
28 de novembro de 2008
Eu vou estar.
Você vai passar.
Eu sei.
Outros planos,
uma vida diferente.
Sei que vai querer seu espaço.
Formar família,
criar filhos.
Recitais
e formaturas.
Sei que vou estar numa lembrança.
Pensamento distante em dia de chuva.
Vou caber no segundo
em que abrir aquele caderno.
Encontrar aquele bilhete.
Vou ficar ali, num compartimento distraído da gaveta
até você achar.
Vou deitar meus braços na foto antiga
que ficou dentro da décima primeira página
do livro que você mais gosta; mas não leu.
Vou adormecer lá.
Naquele versinho de letra difícil
Na música de letra fácil.
Pátio da escola.
Árvore velha.
Casa 13, rua Perdida
do mapa que não existe mais.
Eu sei.
Outros planos,
uma vida diferente.
Sei que vai querer seu espaço.
Formar família,
criar filhos.
Recitais
e formaturas.
Sei que vou estar numa lembrança.
Pensamento distante em dia de chuva.
Vou caber no segundo
em que abrir aquele caderno.
Encontrar aquele bilhete.
Vou ficar ali, num compartimento distraído da gaveta
até você achar.
Vou deitar meus braços na foto antiga
que ficou dentro da décima primeira página
do livro que você mais gosta; mas não leu.
Vou adormecer lá.
Naquele versinho de letra difícil
Na música de letra fácil.
Pátio da escola.
Árvore velha.
Casa 13, rua Perdida
do mapa que não existe mais.
22 de novembro de 2008
I miss you love.
Nessa época a solidão se emancipa,
desfigura e segue identidade própria
puxando a seqüência dos meus passos.
As luzes das lojas
das vitrines, viadutos
não iluminam nada.
Confundem o caminho
com sombras que não são seus olhos.
Tem meu amor.
Tem seus olhos.
Permaneço aquecida enquanto a lembrança está comigo.
Nessa época fica mais difícil sair do quarto.
Fica perigoso as multidões misturadas com as luzes todas.
Não consigo ver.
Do outro lado está nosso quintal
Vazio.
Está nosso jardim
E as pragas do jardim
E os monstros do jardim
Do outro lado...
eu sinto falta de você.
Sinto muita falta de você.
Sei que tenho que fingir
que o poema não é sobre isso,
mas sinto muita falta
dentro de mim.
E nessa época,
principalmente nessa época, me lembro.
desfigura e segue identidade própria
puxando a seqüência dos meus passos.
As luzes das lojas
das vitrines, viadutos
não iluminam nada.
Confundem o caminho
com sombras que não são seus olhos.
Tem meu amor.
Tem seus olhos.
Permaneço aquecida enquanto a lembrança está comigo.
Nessa época fica mais difícil sair do quarto.
Fica perigoso as multidões misturadas com as luzes todas.
Não consigo ver.
Do outro lado está nosso quintal
Vazio.
Está nosso jardim
E as pragas do jardim
E os monstros do jardim
Do outro lado...
eu sinto falta de você.
Sinto muita falta de você.
Sei que tenho que fingir
que o poema não é sobre isso,
mas sinto muita falta
dentro de mim.
E nessa época,
principalmente nessa época, me lembro.
19 de novembro de 2008
18 de outubro de 2008
Têm estranhos que trago comigo.
Não deixo que me escolham...
Sei bem quem eu quero.
Construo fortes
E castelos
Traço enigmas em papéis invisíveis
que não sei responder.
Meu ciúme só não é maior que meu amor.
Tenho atos de devoção
com indiferenças profundas.
Tenho distâncias insuperáveis
com uma proximidade amorosa.
E estou sempre só.
Antes que me esqueça desse detalhe importante.
Não deixo que me escolham...
Sei bem quem eu quero.
Construo fortes
E castelos
Traço enigmas em papéis invisíveis
que não sei responder.
Meu ciúme só não é maior que meu amor.
Tenho atos de devoção
com indiferenças profundas.
Tenho distâncias insuperáveis
com uma proximidade amorosa.
E estou sempre só.
Antes que me esqueça desse detalhe importante.
20 de setembro de 2008
Marcelo Camelo é fim de tarde olhando pro mar.
É visitar Rio de Janeiro sem ir.
É língua Portuguesa sem gramática,
mas também lição de casa.
Tímido passarinho que senta na mão da gente.
E a gente fecha o olho pra guardar na memória
de tanto que o coração dispara.
E a gente pensa, quando ouve ele, que não vai sarar.
Mas ele canta assim bem azul,
com mãos estendidas na canção.
Aí dói menos,
até sarar.
É visitar Rio de Janeiro sem ir.
É língua Portuguesa sem gramática,
mas também lição de casa.
Tímido passarinho que senta na mão da gente.
E a gente fecha o olho pra guardar na memória
de tanto que o coração dispara.
E a gente pensa, quando ouve ele, que não vai sarar.
Mas ele canta assim bem azul,
com mãos estendidas na canção.
Aí dói menos,
até sarar.
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