28 de novembro de 2008

Eu vou estar.

Você vai passar.
Eu sei.
Outros planos,
uma vida diferente.
Sei que vai querer seu espaço.
Formar família,
criar filhos.
Recitais
e formaturas.
Sei que vou estar numa lembrança.

Pensamento distante em dia de chuva.

Vou caber no segundo
em que abrir aquele caderno.
Encontrar aquele bilhete.
Vou ficar ali, num compartimento distraído da gaveta
até você achar.

Vou deitar meus braços na foto antiga
que ficou dentro da décima primeira página
do livro que você mais gosta; mas não leu.

Vou adormecer lá.

Naquele versinho de letra difícil
Na música de letra fácil.
Pátio da escola.
Árvore velha.
Casa 13, rua Perdida
do mapa que não existe mais.

22 de novembro de 2008

I miss you love.

Nessa época a solidão se emancipa,
desfigura e segue identidade própria
puxando a seqüência dos meus passos.
As luzes das lojas
das vitrines, viadutos
não iluminam nada.
Confundem o caminho
com sombras que não são seus olhos.
Tem meu amor.
Tem seus olhos.
Permaneço aquecida enquanto a lembrança está comigo.

Nessa época fica mais difícil sair do quarto.
Fica perigoso as multidões misturadas com as luzes todas.
Não consigo ver.
Do outro lado está nosso quintal
Vazio.
Está nosso jardim
E as pragas do jardim
E os monstros do jardim
Do outro lado...
eu sinto falta de você.
Sinto muita falta de você.
Sei que tenho que fingir
que o poema não é sobre isso,
mas sinto muita falta
dentro de mim.

E nessa época,
principalmente nessa época, me lembro.

19 de novembro de 2008

Acho que perdi a mão.
Igual quando a receita queima,
ou fica salgada.

Estou numa fase: ‘não escrever a qualquer custo
para não perceber o que estou sentindo.’




Perdeu-se.

18 de outubro de 2008

Têm estranhos que trago comigo.
Não deixo que me escolham...
Sei bem quem eu quero.
Construo fortes
E castelos
Traço enigmas em papéis invisíveis
que não sei responder.
Meu ciúme só não é maior que meu amor.
Tenho atos de devoção
com indiferenças profundas.
Tenho distâncias insuperáveis
com uma proximidade amorosa.


E estou sempre só.
Antes que me esqueça desse detalhe importante.

20 de setembro de 2008

Marcelo Camelo é fim de tarde olhando pro mar.
É visitar Rio de Janeiro sem ir.
É língua Portuguesa sem gramática,
mas também lição de casa.
Tímido passarinho que senta na mão da gente.
E a gente fecha o olho pra guardar na memória
de tanto que o coração dispara.
E a gente pensa, quando ouve ele, que não vai sarar.
Mas ele canta assim bem azul,
com mãos estendidas na canção.
Aí dói menos,
até sarar.

30 de agosto de 2008

Quantas teclas caberão nesse sentimento meu
de solidão?
Se eu digitar s-o-l-i-d-~-a-o
em folhas e folhas
ela diminui ou aumenta?
Se rabiscar seu olhos
no teto
acordarei mais feliz?
Já não bastam fotografias
Nem cartas
Nem mesmo e-mails
Ou o dia inteiro juntos
Minha solidão tem fome
maior que o próprio sol.
Seu amor é maior que o próprio sol.
O problema são as nuvens que,
vez em quando,
cobrem esses castelos de areia
e atrasam meus navios.



- Queria (muito) que você estivesse aqui
.
A chuva caia do céu cinza. Inevitável não querer falar da chuva com ele, mesmo que isso fosse uma desculpa para ficar perto.




E era.

19 de agosto de 2008

Tem dias tristes, bem vagarosos de levantar, quando as vezes acordo faltando 5 minutos para o outro dia. Sempre atrasada.

Tem dias bons. Dançar na rua não parece tão avesso do avesso. Mp3 não tem a magia do vinil, mas é portátil.

Tem dias amorosos de doer! Pombos e cachorros dançam sincronizado num musical hollywoodiano.

Tem dias sozinhos. Telefones são muito modernos, bases alienígenas! Deitada, vegetando(ando), enquanto a vida vai dar uma volta.

Tem, no meio, tanta criança que parece orfanato, mas também parece céu. Tem piolhos e cócegas insuportáveis.

Porque o mundo é feio e bonito.

E sou alguma coisa assim: entre Deusa e pó.


É difícil para alguém de cinco anos entender como um bicho pode ser dois. Cavalos são associados à terra, associados à branco e estão presentes em todos os contos-de-fada implicitamente. Acho que meu cavalo branco é igual a esse: laranja e vive na água. Por isso meu príncipe deve ter se afogado. - Tadinho.


As crianças da escola acreditam em sereias. Eu não acreditava mais, mas elas falam com uma convicção nos olhos e firmeza na voz que fica praticamente impossível discordar. Quem ousaria?

13 de julho de 2008

Quebrar ciclos
É como pisar em nuvens.
Posso cair a qualquer momento.

Preciso tentar.

Quebrar ciclos não parece bom.
Mas deve ser bom, mesmo que doa tanto.

Essas pequenas mudanças
Essas antigas manias
Essas amizades não tão necessárias assim
Sapatos apertados demais.

Esses objetos repetidos.
O caco do vaso cortando minhas mãos.

Eu vejo a lua lá fora
quebrando ciclos de tempos em tempos.
Se fecha no quarto
- Eclipse.
A lua deve ter muitas dúvidas antes de despertar.
Deve continuar com elas antes de dormir.

Viver é mesmo muito delicado.

(até mesmo para satélites)

8 de julho de 2008

Vidros novos para janela azul.

O papel me olha.
Vou abrindo caminhos
Por entre nuvens
Das brancas linhas invisíveis...
Rabisco aqui
Nesses espaços vazios
Essa necessidade de estar completa
Essa viagem por submundos escuros
Que me trincaram os vidros da janela.
Registro meu retorno à luz.
Caverna e céu brigaram por espaço:
- Enfim sol.
Registro essa manhã de sol.
Esse meu excesso de novidades
Percorrendo exatamente os mesmos passos.
Ontem vi um pássaro na árvore.
Mãe adormecida no sofá.
Uma criança com nome de flor.

Eles estavam me esperando.
As crianças à minha volta me pedem poemas.
Elas mal sabem que são poemas por si só.

18 de junho de 2008

Não se esqueçam de mim.
Eu vou voltar.
Estou distante, mas vou voltar.
Avisem seus corações
que estarei por perto
mesmo brincando de não estar...
Avisem seus abraços dos meus braços
Suas pegadas dos meus pés
Avisem seus cabelos dos meus dedos.
Os cabelos precisam saber do meu retorno!
Sem festa
Ou passeatas
Vou voltar.
Sem grandes arrombos na porta
Ou muito melhor do que era
Simplesmente vou estar
Onde deveria estar.

25 de abril de 2008

Saindo para poder voltar...

Estou deixando o blog para as moscas e as aranhas. Para os leitores e para o Godofredo.
Por favor, olhem esse cantinho para mim por um tempo. Como no título já disse, estou saindo para poder voltar. Compromissos da faculdade. Burocracia nada poética, mas necessária.
Abraços a todos.
Os recados respondei assim que retornar.


Abraços da menina, da mulher...
Da garotinha frágil dentro das minhas mãos.



Priscila Machado

23 de abril de 2008

As gotas de sangue pintaram a água quente.
Pela primeira vez (desafiando as feministas de plantão),
pela primeira vez olhei o sangue vermelho, agressivo,
como um filho que não volta mais.

Raízes estranhas
perfuram a estrutura dos meus vinte e dois anos.

22 de abril de 2008

11 de abril de 2008


- aos Pequeninos.

Eles me olham nos olhos
todo dia.
Todo dia eu olho
nos olhos deles.
Data, oração, apostila.
Recreio.
Mais apostila...
E no meio todos os sonhos que puder encaixar.

Flores nas pontas dos dedos.
Guache, pincel.
Margem.
Sulfite explodindo chuva branca
pelas frestas dos armários.
Pó de giz nevando
faz-de-conta no verão.
Todos os compassos do mundo
arredondando (ainda mais) os planetas.
Letras escorrem
 oceanos inteiros:
   “onde moram as sereias?”
- Sim! E as estrelas-do-mar!
Leitura em voz alta
"Para a velhinha da última cadeira imaginária escutar”
- Pode me ouviiiir?
Ela sempre sorri e nós sorrimos com ela...

Gelatina sexta-feira depois da lição.
Amarela. Rosa. Verde.
Verde. Rosa. Amarela.
"Arco-íris de pintar estômago!"
(...)
Final de semana;
E eu aqui, doída de saudade.


     Ser professora é quando seu amor foge do peito
para dentro dos cadernos.

6 de abril de 2008

- Sabe Pri, seu blog não tem ninguém. É sempre um festival de poeira e teias, gatos preguiçosos dormindo debaixo da cama.
- Prevejo uma crítica construtiva.
- É, pois então... Quem sabe se você parecesse assim mais sorridente, sabe? Escrevesse alguns versos com sorrisos e florzinhas; mudasse a cor de fundo: muito escuro. A prova são os livros de auto-ajuda que vendem as pencas.
- Godofredo, no próximo post leilôo você.
- Ninguém vai comprar.
- Eu sei.
- Hunf...Você sabe deprimir as pessoas.
Finais de semana são produtivos para um projeto de escritora mal sucedido.
As idéias surgem como as graminhas no canto da parede cimentada.
Crescem no seco.
Tudo que ando plantando nesses dias todos
Estão, incrivelmente, sobrevivendo no seco.
Sinto falta da paixão adolescente pela qual morreria.
Mesmo que fosse mentirinha.
Sinto falta da escola
Como podem rostos vazios deixarem tantas sombras?
Tempos áureos:
- na época mais social das minhas pernas.