12 de fevereiro de 2013

Sementeiras

Escrevo para não morrer.
Existem mortes de acidente, mau funcionamento do corpo,
Mortes súbitas.
A morte de quem precisa e não escreve, é lenta.
Quem não abre espaços na folha semeia vazio,
Mas as palavras são pequenos pedaços de vida na imensidão da Terra.

Escrevo para viver.
Porque sobrevivi ao apocalipse
Pisando o chão da minha cabeça.
Porque vejo sementes na podridão dos lamaçais,
Vejo, no solo, minerais necessários ao florescimento.
Tenho comigo a crença na ressurreição dos mortos,
Porque já renasci do avesso da tragédia.
Escrevo porque a única coisa que resta a um errante
É o grito.
Então eu grito, mesmo que seja no escuro de uma sala escura
Dentro de mim.
Mesmo que essa luz seja para ninguém,
Sou encarregada de acender o lampião,
E cultivar as esperanças.

The Hole













No país dessa vida cortam-se cabeças,
Pintam-se rosas às pressas
De sangue.
Na sem lógica do amor
Poucos resistirão
Sãos.
Na minha loucura te vejo nos meus sonhos
Tão real que chega a doer.
Sinto o cheiro,
O toque,
Ouço a voz dentro da minha cabeça me falando.

- Retire-se da minha fantasia, agora!
Porque já sou vícios demais.
Não tenho estrutura para alojar nós dois em mim.
É preciso cortar, antes que seja denso
E transferir pra vida, aquilo que não se pode matar.

Mas ergo as mãos em desistência: sou incapaz de esquecê-lo sozinha.
Fico pairando feito pluma ao vento das tentações.
Se você me chamar, eu vou.
Animal adestrado frente ao círculo de fogo,
Eu vou.
Homem bomba no avião suicida,
Eu vou.
Explorador frente à montanha congelada
Eu subo até você.
Porque existe uma força incontrolável de cair.

- Você é meu coelho branco.

2 de fevereiro de 2013

Para ele.

Meu amor,
Tropecei a vida inteira em mim mesma,
Vaguei por ruas desertas,
Criei um mar profundo com tanta água sobre, sob, entre os vãos
Do meu peito.
Você foi barco amigo
Com âncora, bote e cobertor,
Mas não estava pronta
E me soltei com a força da maré.

Meu amor,
O calor dos seus abraços dá uma terrível abstinência de saudade,
Então ensaio algumas lágrimas enquanto as algas se enrolam em meus cabelos
Para me fazer sã,
Em meio à tempestade.
Quando tudo passar,
Talvez fique claro o farol
Pra nós dois.
Por enquanto, quero emergir todos os defeitos que me prendem ao fundo
Sem respirar.
Quero aprender a paz em mim
Para ser melhor quando subir até você.
Porque um dia, estaremos próximos, eu sinto.

Não poderei te oferecer o que deseja, não satisfaço nem a mim.
Mas existe amor além do amor, sabia?
Quero estar além contigo, assim junto.
Para te contar histórias de adormecer e de acordar anjos.
Pode demorar oceanos inteiros para encontrá-lo novamente,
Mas eu espero.
Porque já esperei muito, por muitas vidas.
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